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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A LEI DO PROGRESSO.

A LEI DO PROGRESSO.

(Lyon, 17 de setembro de 1862. - Médium, Sr. Emile V...)

Nota. - Esta comunicação foi obtida na sessão geral presidida pelo Sr. Allan Kardec.

Parece, considerando-se a Humanidade em seu estado primitivo e em seu estado atual, quando a sua primeira aparição sobre a Terra marcou um ponto de partida, e agora que ela percorreu uma parte do caminho que conduz à perfeição, parece, digo eu, que todo bem, todo progresso, toda filosofia enfim, não possa nascer senão do que lhe e contrário.

Com efeito, toda formação é o produto de uma reação, do mesmo modo que todo efeito é engendrado por sua causa. Todos os fenômenos morais, todas as formações inteligentes, são devidos a uma perturbação momentânea da própria inteligência. Somente, na inteligência, devem-se considerar dois princípios: a um imutável, essencialmente bom, eterno como tudo o que é infinito; o outro, temporário, momentâneo e que não é senão o agente empregado para produzir a reação de onde sai, cada vez, o progresso dos homens.

O progresso abarca o universo durante a eternidade, e jamais é tão conhecido do que quando se concentra em um ponto qualquer. Não podeis ver, com um só olhar, a imensidade que vive, por conseqüência, que progride; mas olhai ao vosso redor; que vedes aí?

Em certas épocas, pode-se dizer, em momentos previstos, designados, surge um homem que abre um caminho novo, que corta a prumo os rochedos áridos dos quais está sempre semeado o mundo conhecido da inteligência. Freqüentemente, esse homem é o último entre os humildes, entre os pequenos, e, no entanto, ele penetra nas altas esferas do desconhecido. Arma-se de coragem, porque para isso lhe é necessário lutar corpo a corpo com os preconceitos, com os usos recebidos; para isto lhe é preciso vencer os obstáculos que a má-fé semeia sob seus passos, porque enquanto restam preconceitos a derrubar, restam abusos e interesses nos abusos; para isso lhe é preciso, porque deve lutar ao mesmo tempo com as necessidades materiais de sua personalidade, e sua vitória, nesse caso, é a melhor prova de sua missão e de sua predestinação.

Chegado a esse ponto em que a luz se escapa bastante forte do círculo do qual é o centro, todos os olhares caem sobre ele; assimila-se todo princípio inteligente e bom; ele reforma, regenera, o princípio contrário, apesar dos preconceitos, apesar da má-fé, apesar das necessidades, ele chega ao seu objetivo, faz a Humanidade transpor um degrau, faz conhecer o que não era conhecido.

Esse fato já se repetiu muitas vezes, e se repetirá muitas vezes ainda antes que a Terra tenha adquirido o grau de perfeição que convém à sua natureza. Mas tantas vezes quantas sejam necessárias, Deus fornecerá a semente e o lavrador. Esse lavrador, é cada homem em particular, como cada um dos gênios que a ilustram por uma ciência, freqüentemente, sobre-humana. Em todos os tempos houve desses centros de luz, desses pontos de união, e o dever de todos é de se aproximar, de ajudar e de proteger os apóstolos da verdade. É o que o Espiritismo vem dizer ainda.

Apressai-vos, pois, vós todos que sois irmãos pela caridade; apressai-vos e a felicidade prometida à perfeição vos será bem mais cedo concedida.
ESPIRITO PROTETOR.
Fonte: Revista Espírita 1863
Francisco Rebouças