Solidarity Spiritist Societ

sábado, 16 de julho de 2011

"O Consolador"


67 – Como interpretar o movimento feminista na atualidade da civilização?

– O homem e a mulher, no instituto conjugal, são como o cérebro e o coração do organismo doméstico.

Ambos são portadores de uma responsabilidade igual no sagrado colégio da família; e se a alma feminina sempre apresentou um coeficiente mais avançado de espiritualidade na vida, é que, desde cedo, o Espírito masculino intoxicou as fontes da sua liberdade, através de todos os abusos, prejudicando a sua posição moral no decurso das existências numerosas, em múltiplas experiências seculares.

A ideologia feminista dos tempos modernos, porém, com as diversas bandeiras políticas e sociais, pode ser um veneno para a mulher desavisada dos seus grandes deveres espirituais na face da Terra. Se existe um feminismo legítimo, esse deve ser o da reeducação da mulher para o lar, nunca para uma ação contraproducente fora dele. É que os problemas femininos não poderão ser solucionados pelos códigos do homem, mas somente à luz generosa e divina do Evangelho.

68 – Como conceituar o estado de espírito do homem moderno, que tanto se preocupa com o “estar bem na vida”, “ganhar bem” e “trabalhar para enriquecer”?

– Esse propósito do homem viciado, dos tempos atuais, constitui forte expressão de ignorância dos valores espirituais na Terra, onde se verifica a inversão de quase todas as conquistas morais.

Foi esse excesso de inquietação, no mais desenfreado egoísmo, que provocou a crise moral do mundo, em cujos espetáculos sinistros podemos reconhecer que o homem físico, da radiotelefonia e do transatlântico, necessita de mais verdade que dinheiro, de mais luz que de pão.
CIÊNCIAS ABSTRATAS
Posição das Ciências Abstr atas
69 – No quadro dos valores espirituais, qual a posição das ciências abstratas como a Matemática, a Estatística e a Lógica, por exemplo, que requerem o máximo de método e observação para as suas atividades dedutivas?

– Ainda aqui, observamos a Matemática e a Estatística medindo, calculando e enumerando o patrimônio das expressões materiais, e a Lógica orientando as atividades intelectuais do homem, nas contingências de sua vida no planeta.

Não podemos desprezar a cooperação das ciências abstratas nos postulados educativos, por adestrarem as inteligências, dilatando a espontaneidade nos Espíritos, de maneira a estabelecer a facilidade de compreensão dos valores da vida planetária, mas temos de reconhecer que as suas atividades, quase todas circunscritas ao ambiente do mundo, são processos ou meios para que o homem atinja a ciência da vida em suas mais profundas revelações espirituais, ciência que simboliza a divina finalidade de todas as investigações e análises das organizações existentes na Terra.
CIÊNCIAS ESPECIALIZADAS
70 – As ciências especializadas com a Astronomia, a Meteorologia, a Botânica e a Zoologia, foram criadas pelo esforço do espírito humano, na evolução das ciências fundamentais?

– Como atividades complementares das ciências fundamentais, esses estudos especializados representam um conjunto de conquistas do espírito humano, no sagrado labor da entidade abstrata a que chamamos “civilização”.

Tais esforços constituem a catalogação das pesquisas e realizações propriamente humanas: todavia, convergem para a ciência integral no plano infinito, onde se irmanarão com os valores morais na glorificação do homem redimido.

71 – Como julgar a posição da Terra em relação aos outros mundos?

– A grandeza do plano sideral, onde se agita a comunidade dos sistemas, é demasiado profunda para que possamos assinalar-lhe a definição com os mesquinhos formulários da Terra.

No turbilhão do Infinito, o sistema planetário centralizado pelo nosso Sol é excessivamente singelo, constituindo um aspecto muito pobre da Criação.

Basta lembrar que Capela, um dos nossos vizinhos mais próximos, é um sol 5.800 vezes maior que o nosso astro do dia, sem esquecermos que a Terra é 1.300.000 vezes menor que o nosso Sol.

Nessas cifras grandiosas, compreendemos a extensão da nossa humildade no Universo, apiedando-nos sinceramente da situação dos conquistadores humanos de todos os matizes, os quais, no afã de açambarcarem patrimônios materiais, nos dão a impressão de ridículos e vaidosos polichinelos da vida.

72 – Existem planetas de condições piores que as da Terra?

– Existem orbes que oferecem piores perspectivas de existência que o vosso e, no que se refere a perspectivas, a Terra é um plano alegre e formoso, de aprendizado. O único elemento que aí destoa da Natureza é justamente o homem, avassalado pelo egoísmo.

Conhecemos planetas onde os seres que os povoam são obrigados a um esforço contínuo e penoso para aliciar os elementos essenciais à vida; outros, ainda, onde numerosas criaturas se encontram em doloroso degredo. Entretanto, no vosso, sem que haja qualquer sacrifício de vossa parte, tendes gratuitamente céu azul, fontes fartas, abundância de oxigênio, árvores amigas, frutos e flores, cor e luz, em santas possibilidades de trabalho, que o homem há renegado em todos os tempos.

73 – A humanidade terrestre é idêntica à de outros orbes?

– Nas expressões físicas, semelhante analogia é impossível, em face das leis substanciais que regem cada plano evolutivo; mas, procuremos entender por humanidade a família espiritual de todas as criaturas de Deus que povoam o Universo e, examinada a questão sob esse prisma, veremos a comunidade terrestre identificada com a coletividade universal.

74 – O homem científico poderá encarar com êxito as possibilidades de uma viagem interplanetária?

– Pelo menos enquanto perdurar a sua atitude de confusão, de egoísmo e rebeldia, a humanidade terrestre não deve alimentar qualquer projeto de viagem interplanetária.

Que dizermos do homem que, sem dispor a ordem na sua própria casa, quisesse invadir a residência dos vizinhos? Se tantas vezes as criaturas terrestres têm menosprezado os bens que a Providência Divina lhes colocou nas mãos, não seria justo circunscrevê-las ao seu âmbito acanhado e mesquinho?

O insulamento da Terra é um bem inapreciável.

Observemos as expressões do progresso humano, movimentadas para a guerra e para a destruição, nos triunfos da força, e rendamos louvores ao Pai Celestial por não haver dilatado no orbe terreno os processos de observação das suas vaidosas criaturas.

75 – Na diversidade de suas experiências, é o Espírito obrigado a adaptar-se às condições fluídicas de cada orbe?

– Esse é um imperativo para aquisição de seus valores evolutivos dentro das leis do aperfeiçoamento.

76 – Poderão os fenômenos da meteorologia ser controlados, mais tarde, pelos homens?

– Os fenômenos meteorológicos, incontroláveis pelas criaturas humanas, não o são pelos prepostos de Jesus, que buscam dispô-los de acordo com os ascendentes espirituais a serem observados em todos os processos evolutivos.

Não olvidemos, contudo, que a Terra é uma escola.

Se não é possível conceder, por enquanto, um título de conhecimento total aos discípulos rebeldes e preguiçosos, isso será possível um dia, quando a evolução moral houver atingido o nível indispensável ao aproveitamento dessa ou daquela força, em benefício de todos.

77 – Os Espíritos se preocupam com a Botânica?

– Na Botânica encontrais as mesmas incógnitas dos princípios apenas explicáveis pelos fatores transcendentes, o que prova a atenção do plano espiritual para com o chamado reino dos vegetais.

Esse departamento da Natureza, campo de evolução como os outros, recebe igualmente o sagrado influxo do Senhor, através da assistência de seus mensageiros, desde os pródromos da organização planetária.

Recorda-ivos de que o homem é discípulo numa escola que o seu raciocínio já encontrou organizada pela sabedoria divina e, em nome d’Aquele que é a origem sagrada de nossas vidas, amai as árvores e tende cuidado com o campo, onde florescem as bênçãos do céu.

78 – A Zoologia é também objeto de atenção dos planos espirituais?

– Sem dúvida, também a Zoologia merece o zelo da esfera invisível, mas é indispensável considerarmos a utilidade de uma advertência aos homens, convidando-os a examinar detidamente os seus laços de parentesco com os animais, dentro das linhas evolutivas, sendo justo que procurem colocar os seres inferiores da vida planetária sob o seu cuidado amigo.

Os reinos da Natureza, aliás, são o campo de operação e trabalho dos homens, sendo razoável considerálos
mais sob a sua responsabilidade direta que  propriamente dos Espíritos, razão por que responderão perante as leis divinas pelo que fizerem, em consciência, com os patrimônios da natureza terrestre.

79 – Como interpretar nosso parentesco com os animais?

Considerando que eles igualmente possuem diante do tempo um porvir de fecundas realizações, através de numerosas experiências chegarão, um dia, ao chamado reino hominal, como, por nossa vez, alcançaremos, no escoar dos milênios, a situação de angelitude. A escala do progresso é sublime e infinita. No quadro exíguo dos vossos conhecimentos, busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de amor que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e invisível. O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade. Busquemos reconhecer a infinidade de laços que nos unem nos valores gradativos da evolução e ergamos em nosso íntimo o santuário eterno da fraternidade universal.

Livro: O Consolador
Chico Xavier/Emmanuel
 
Francisco Rebouças