64 – Em face da lei dos homens, quando em presença do processo criminal, deve-se dar o voto condenatório, em concordância com o processocrime, ou absolver o réu em obediência ao “não julgueis”?
– Na esfera de nossas experiências, consideramos que à frente dos processos humanos, ainda quando as suas peças sejam condenatórias, deve-se recordar a figura do Cristo junto da pecadora apedrejada, pois que Jesus estava também perante um júri.
“Quem estiver sem pecado atire a primeira pedra ” – é a sentença que deveria lembrar, sempre, a nossa situação comum de Espíritos decaídos, para não condenar esse ou aquele dos nossos semelhantes. “Vai e não peques mais” – deve ser a nossa norma de conduta dentro do próprio coração, afastando-se a erva do mal que nele viceje.
Nos processos públicos, a autoridade judiciária, como peça integrante da máquina do Estado no desempenho de suas funções especializadas, deve saber onde se encontra o recurso conveniente para o corretivo ou para a reeducação do organismo social, mobilizando, nesse mister, os valores de sua experiência e de suas responsabilidades.
Individualmente, porém, busquemos aprender que se podemos “julgar” alguma coisa, julguemonos, sempre, em primeiro lugar, como o irmão mais próximo daquele a quem se atribui um crime ou uma falta, a fim de estarmos acordes com Aquele que é a luz dos nossos corações.
Nas horas comuns da existência, procuremos a luz evangélica para analisar o erro e a verdade, discernir o bem e o mal; todavia, no instante dos julgamentos definitivos, entreguemos os processos a Deus, que, antes de nós, saberá sempre o melhor caminho da regeneração dos seus filhos trabalhadores.
65 – O homem que guarda responsabilidade nos cargos públicos da Terra responde, no plano espiritual, pelas ordens que cumpre e faz cumprir?
– A responsabilidade de um cargo público, pelas suas características morais, é sempre mais importante que a concedida por Deus sobre um patrimônio material. Daí a verdade que, na vida espiritual, o depositário do bem público responderá sempre pelas ordens expedidas pela sua autoridade, nas tarefas da Terra.
66 – O preceito evangélico – “assim, pois, aquele que dentre vós não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” – deve ser interpretado no sentido absoluto?
– Ainda esse ensino do Mestre deve ser considerado no seu divino simbolismo.
A fortuna e a autoridade humanas são também caminhos de experiências e provas, e o homem que as atirasse fora de si, arbitrariamente, procederia com a noção da irresponsabilidade, desprezando o ensejo do progresso que a Providência Divina lhe colocou nas mãos.
Todos os homens são usufrutuários dos bens divinos e os convocados ao trabalho de administração desses bens devem encarar a sua responsabilidade como problema dos mais sérios da vida.
Renunciando ao egoísmo, ao orgulho, à fraqueza, às expressões de vaidade, o homem cumprirá a ordenação evangélica e, sentindo a grandeza de Deus, único dispensador no patrimônio real da vida, será discípulo do Senhor em quaisquer circunstâncias, por usar as suas possibilidades materiais e espirituais, sem os característicos envenenados do mundo, como intérprete sincero dos desígnios divinos para felicidade de todos.
Livro: O Consolador
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças