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sexta-feira, 22 de abril de 2011

PRESUNÇÃO


Sutil quão traiçoeiro é miasma de fácil assimilação, que produz danos graves nos tecidos delicados da alma.

Herança dos vícios pretéritos de que somente a pouco e pouco se liberta, o espírito que empreende a tarefa do aprimoramento não deve poupar esforços contra inimigo vigoroso e disfarçado qual esse.

Apresenta-se multiface e sabe afivelar máscaras de hedionda feição, sorrindo nas situações em que se vê descoberto e chorando nos momentos de que se deveria utilizar para a libertação, adquirindo forças novas com inusitada selvageria para continuar os desmandos a que se afeiçoa.

Reponta aqui na condição de melindre, em cuja exagerada suscetibilidade encontra campo para generalizar suas argumentações falsas, com graves danos para quem lhe enseja a penetração.

Apresenta-se como ufania exacerbada e apropria-se dos requisitos morais daquele que se lhe faz vítima, conquistando láureas à própria incúria.

Alma gemea do orgulho, é filho especial do egoísmo, inimigo sórdido de toda construção moral do homem, comprazendo-se em desequilibrar e malsinar.

Discreto, enreda mentes invigilantes, e, soez, maquina estranhos raciocínios que distraem os seus cultores.

Imantado à própria natureza animal do homem, investe contra a natureza espiritual sob disfarces inesperados.

Esse revel, atro e torvo inimigo do espírito, é a presunção.

Se alguém admoesta com carinho, objetivando ajudar, le instila, malsão, odiosa irritabilidade no ouvinte, inspirando que ali se encontra um mau caráter desejando humilhar o indefeso lidador...

Quando o amigo convida ao serviço com mansuetude o outro amigo, ei-lo a informar que alquile deseja deste fazer besta de carga. 

Se o patrão, por impositivo da ordem, observa o servidor descuidado, eis que a sua maléfica presença degenera o alvitre fazendo que o reprochável subalterno se transforme em inimigo silencioso...

Quando o cooperador do serviço de elevação adverte o Irmão de trabalho, por esta ou aquela razão, sua voz brada, na acústica da alma: — “Ele toma esta atitude porque é com você”...

E prossegue arregimentando vítimas que lhe dão guarida às Insinuações infelizes, até o desespero em que se verão a braços mais tarde.

Abstem-te do convívio da presunção e arrebenta-lhe o cerco nefando.

Faze honesta fiscalização íntima à luz do Evangelho e descobri-la-á.

Na tarefa de muitos, se te isolas; no agrupamento fraterno, se te supões desconsiderado; na atividade encetada, se reclamas falta de auxílio; na comunidade, se te tens na conta de humilhado; na realização do bem, se suspeitas de deslealdades sistematicamente; e se te afirmas desamado, cuidado! — a presunção está corroendo-te por dentro.

Examina Jesus e toma-O como modelo, situando-te no devido lugar, e se prossegues acreditando que necessitas lapidar a alma da incessante faina do bem, com otimismo e perseverança, estarás combatendo esse verdugo ominoso que tanto poderás chamar presunção como orgulho, melindre ou suscetibilidade, mas que em resumo é, sem dúvida, um dos piores Inimigos da tua evolução.

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Mateus: capítulo 5º, versículo 3.

“O orgulho me perdeu na Terra”. Capítulo 2º — Item 8.

Livro: Florações Evangélicas
Divaldo Franco/Joanna de Ângelis
 
Francisco Rebouças