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terça-feira, 5 de abril de 2011

EMMANUEL

  
Entre os inúmeros expoentes que Deus nosso Pai, nos enviou para nos trazer suas Leis, podemos classificar como o maior de todos o nosso Mestre, modelo e guia, Jesus de Nazaré, que representa para todos nós, “O caminho a Verdade e a Vida”, ninguém consegue ir ao pai até hoje, senão por ele; em segundo lugar, o discípulo bem amado e competente Allan Kardec, seu representante no mundo dos encarnados, responsável por codificar o “Consolador” prometido por Jesus, quando entre nós esteve e, não nos pode ensinar tudo o que gostaria e precisava, em virtude do nosso pequeníssimo grau de elevação intelectual e moral naquela oportunidade.

Em seguida, dentre muitos outros que vieram testemunhar e exemplificar seus ensinos entre nós queremos destacar, a figura ímpar de Emmanuel, este valoroso colaborador de Jesus em nosso meio; trazendo para nós espíritas as interpretações abalizadas de tantas passagens dos evangelhos e, que sem a sua ajuda, não nos seria tão simples compreender como compreendemos hoje que: “Fé inabalável, só é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade”, como nos afirmara o codificador da doutrina espírita.

Refiro-me ao espírito benfeitor EMMANUEL, cuja pertinácia nos permitiu desfrutar nos dias de hoje de uma quantidade extraordinária de páginas de sua autoria, no intuito de nos ajudar na melhor compreensão dos ensinamentos do meigo Nazareno, para que a humanidade então melhor utilizasse o manancial de Luz que o Evangelho nos proporciona e que ainda hoje, não sabemos tirar o devido proveito de suas lições para nosso engrandecimento como espíritos eternos fadados ao progresso e à perfeição.

Emmanuel em algumas de suas obras
Dentre as inúmeras obras por ele ditadas ao disciplinado médium Francisco Cândido Xavier, nos mais de 70 anos de feliz parceria, podemos destacar entre inúmeras outras as seguintes: Caminho Verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz, Fonte Viva, e Palavras de vida Eterna; onde o nobre mentor interpreta versículos do Novo Testamento em sínteses de luz e reconforto espiritual, desde o Evangelho de Mateus até os avisos proféticos do Apocalipse;

Em Religião dos Espíritos, Seara dos Médiuns, Justiça Divina, Livro da Esperança, Opinião Espírita, Estude e Viva e vários outros; Emmanuel nos dá testemunho de quem realmente conhece a doutrina espírita, comentando textos e parágrafos da codificação Kardequiana, elucidando-nos as possíveis dúvidas;

No Livro “O Consolador”, Responde as várias questões doutrinárias formuladas pelos estudiosos da doutrina espírita, sequiosos de aprendizado nas questões a ele propostas e elucidadas com sabedoria de quem sabe e ama;

Em “Roteiro”, o nobre Guia nos presenteia com um verdadeiro curso de filosofia espírita;

Na sua obra “No Portal da Luz”, concede excelente orientação aos que se iniciam na doutrina espírita;

No Livro “Leis do Amor”, Emmanuel nos esclarece sobre os vários ângulos do sofrimento humano em respostas aos variados questionamentos que lhe foram colocados sobre o tema;

Na obra “Pensamento e Vida”, ele nos apresenta uma cartilha de vida usada no plano espiritual, para nosso esclarecimento, de transcendente beleza e sabedoria;

Em “A Caminho da Luz”, o sábio mensageiro nos faz uma síntese da história da humanidade, à luz da doutrina espírita, numa fascinante visão cósmica que abrange os milênios sem conta, desde a gênese planetária, explicando o surgimento das raças adâmicas, até os dias do futuro renovado deste orbe, que um dia acontecerá;

Em “Vida e Sexo”, esclarece-nos sobre a problemática do sexo, falando de: namoro, casamento, desajustes conjugais, divórcio, aborto, adultério, celibato, homossexualismo etc.;

Ainda nos brindou o incomparável mentor, com um tesouro doutrinário de valor incalculável para nosso aprendizado, incluindo uma série de extraordinários romances como: “Há Dois Mil Anos”, “50 Anos Depois”, “Paulo e Estevão”, “Renúncia”, e “Ave Cristo”, onde o insigne escritor da espiritualidade evoca acontecimentos reais, de várias épocas do passado histórico, oferecendo-nos grandes lições para nossa reflexão, com exemplos inesquecíveis de valorosas almas que testemunharam a fé evangélica nos mais difíceis e dolorosos momentos de suas vidas terrenas.

Sobre esse verdadeiro “Pai”, como era considerado por ele, Chico assim nos fala do seu primeiro encontro com o seu nobre Mentor: “- Quando nosso caro Emmanuel me apareceu pela primeira vez, em 1931, ele me disse que, se eu não desejasse trabalhar compartilhando-lhe, de algum modo, as tarefas, não conseguiria permanecer em conexão comigo, de vez que a nossa amizade seria um ornamento sem qualquer significação no campo evolutivo, em que o aperfeiçoamento e a felicidade do ponto de vista espiritual profundamente nos interessam”.

Emmanuel e a fidelidade doutrinária

O lúcido seareiro do Mestre, teve o cuidado de alertar o querido médium, para que não se deixasse levar por qualquer mensagem que lhe chegasse ao conhecimento, ao contrário, deveria avaliá-la e se por acaso não estivessem em conformidade com os ensinamentos de Jesus, contidos na codificação espírita, mesmo que fosse ele quem a tivesse ditado, que o Chico ficasse com Jesus e Kardec, conforme segue: “Lembro-me de que, num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que, se um dia ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e Kardec, que eu deveria permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo".

Durante toda a elaboração da extensa obra mediúnica de Chico Xavier, Emmanuel deu incontestáveis provas de sua presença tutelar. Ao longo dos anos de incontáveis e intermináveis atendimentos, nas memoráveis reuniões psicográficas de consolo, atendendo a familiares deste e do outro mundo, durante os trabalhos assistenciais de todos os matizes, nas sessões de desobsessão e assistência aos espíritos sofredores, nas apresentações públicas do médium e, sobretudo, nos episódios em que foram desferidos os mais sarcásticos ataques ao seu tutelado e à causa espírita, jamais o amoroso mentor de Chico deixou de representar a presença marcante da proteção e da assistência Divina, atestando sua obra imbatível que frutifica e ainda muito frutificará, pois tem por alicerce a mensagem rediviva do próprio Cristo de Deus.

Além dessas obras já citadas, várias e várias outras de reconhecido cunho doutrinário Emmanuel enviou através de seu tutelado, passando-nos ensinamentos que, se os absorvermos, com certeza melhor estaremos em nossa volta à espiritualidade, exorta-nos, por exemplo, a nos compadecer de quantos ainda não compartilham da mensagem consoladora, estendendo-lhes nossas sinceras preces desejando-lhes um breve encontro com Jesus.
Emmanuel em outras mensagens

Sobre nossa atitude diante do incrédulo, ensina-nos ele: “Estendamos, aos companheiros que o ateísmo enrijece, algo de nossas convicções que os ajude a refletir na própria imortalidade. Diligenciemos partilhar com eles o alimento da fé, na mesma espontaneidade de quem divide os recursos da mesa.

Todavia, perguntarás: e se recusam, obstinados e irônicos, os bens que lhes ofertamos? e se nos apagam com golpes de violência, as lanternas de amor que lhes acendamos na estrada?

Se indagações assim podem ser formuladas por nossa consciência tranqüila, após o desempenho de nosso dever de fraternidade, será preciso consultar a lógica e a lógica nos dirá que eles são cegos de espírito que nos cabe amparar, em silêncio, na clinica da oração”.

Em outra elucidativa mensagem intitulada “ORIENTAÇÃO”, Emmanuel nos diz: “Muitos companheiros solicitam orientação do Céu, para a vitória nas lutas da Terra, mas, em verdade, não necessitamos de novos roteiros e esclarecedores e sim de ação mais intensiva na obra santificante do bem”.

Emmanuel fala de Jesus

O nobre mentor assim nos apresente o Mestre: Ele não era conquistador e fundou o maior de todos os domínios, não era geógrafo e descortinou os sublimes continentes da imortalidade, não era legislador e iluminou os códigos do mundo, não era filósofo e resolveu os enigmas da alma, não era juiz e ensinou a justiça com misericórdia, não era teólogo e revelou a fé viva, não era sacerdote e fez o sermão inesquecível, não era diplomata e trouxe a fórmula da paz, não era médico e limpou leprosos restaurou a visão dos cegos e levantou paralíticos do corpo e do espírito, não era cirurgião e extirpou a chaga da animalidade primitiva, não era sociólogo e estabeleceu a solidariedade humana, não era cientista e foi o sábio dos sábios, não era escritor e deixou ao Planeta o maior dos Livros, não era advogado e defendeu a causa da Humanidade inteira, não era engenheiro e traçou caminhos imperecíveis, não era economista e ensinou a distribuição dos bens da vida a cada um por suas obras, não era guerreiro e continua conquistando as almas há quase vinte séculos, não era químico e transformou a lama das paixões em ouro da espiritualidade superior, não era físico e edificou o equilíbrio da Terra, não era astrônomo e desvendou os mundos novos da imensidade, enriquecendo de luz o porvir humano, não era escultor e modelou corações, convertendo-os em poemas vivos de bondade e esperança...

Emmanuel em outras encarnações

Em algumas das obras mediúnicas de Chico Xavier, os prefácios trazem palavras de Emmanuel sobre suas encarnações passadas. No entanto, por várias vezes inquirido sobre o assunto, ele sempre evitou tecer maiores comentários, dizendo sempre que não era tão relevante pra nós sabermos coisas passadas de suas existências.

No Livro Há Dois Mil Anos, por exemplo, Emmanuel descreve uma de suas encarnações anteriores, quando foi o senador romano Públio Lentulus na época em que Jesus esteve na Terra. Muitos chegam mesmo a admitir que Chico possa ter sido a filha dele, chamada Flávia, fato que teria constituído um forte elo de amor que perdura ainda hoje, porém, nada foi confirmado até hoje sobre a veracidade desse fato.

No livro 50 Anos Depois, Emmanuel relata-nos uma de suas passagens pelo plano terrestre, desta vez como um escravo chamado Nestório. Segundo ele, a finalidade dessa reencarnação, ocorrida cinqüenta anos depois do desencarne do senador romano, era a de reparar erros do passado cometido quando esteve encarnado na pessoa de Públio Lentulus.

No livro Renúncia, relata que esteve encarnado como padre Daminiano, vigário da igreja de São Vicente, na cidade espanhola de Ávila.

Há indícios também de que Emmanuel teria sido o padre Manoel da Nóbrega, famoso catequisador do início da colonização brasileira e um dos fundadores da cidade de São Paulo (SP).

No livro Amor e Sabedoria de Emmanuel, do professor Clóvis Tavares, encontra-se o seguinte comentário: "Completam-se, assim, neste 1970, quatrocentos anos de Nóbrega (Padre Manoel da Nóbrega) e quarenta anos de Emmanuel, nesse apostolado espiritual de oferecer um novo sentido da vida aos filhos da Terra”.

Emmanuel na codificação

Este valoroso discípulo de Jesus, não é simplesmente autor de várias obras pela psicografia do querido Chico, pois bem antes dessa incomparável parceria, já participava intensamente da implantação do consolador nos corações dos homens, e por isso mesmo mereceu que o codificador do espiritismo, Allan Kardec, incluísse no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XI, uma mensagem de sua autoria, intitulada “O egoísmo” que transcrevemos abaixo:

“O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. Ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la ascender na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é o causador de todas as misérias do mundo terreno. E a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens.

Jesus vos deu o exemplo da caridade e Pôncio Pilatos o do egoísmo, pois, quando o primeiro, o Justo, vai percorrer as santas estações do seu martírio, o outro lava as mãos, dizendo: Que me importa! Animou-se a dizer aos judeus: Este homem é justo, por que o quereis crucificar? E, entretanto, deixa que o conduzam ao suplício.

É a esse antagonismo entre a caridade e o egoísmo, à invasão do coração humano por essa lepra que se deve atribuir o fato de não haver ainda o Cristianismo desempenhado por completo a sua missão. Cabem-vos a vós, novos apóstolos da fé, que os Espíritos Superiores esclarecem o encargo e o dever de extirpar esse mal, a fim de dar ao Cristianismo toda a sua força e desobstruir o caminho dos pedrouços que lhe embaraçam a marcha. Expulsai da Terra o egoísmo para que ela possa subir na escala dos mundos, porquanto já é tempo de a Humanidade envergar sua veste viril, para o que cumpre que primeiramente o expilais dos vossos corações”- Emmanuel. (Paris, 1861.);

Emmanuel é reconhecidamente extraordinário tradutor das passagens bíblicas, onde as interpreta em todos os seus livros de maneira clara e simples, para nosso perfeito entendimento.

Para finalizar, queremos particularmente confessar que muito nos tem sido útil e importante o estudo das obras desse incomparável mensageiro do Alto para nosso melhor entendimento da doutrina espírita; tendo contribuído em muito para nosso crescimento moral e espiritual a ponto de testemunharmos aqui a sentença feliz que é de autoria do Dr. Rômulo Joviano, chefe de serviço do querido Chico, e mais tarde presidente do Centro Espírita Luiz Gonzaga: “Nunca ninguém bateu à porta de Emmanuel que não fosse atendido”.

Se te falta inspiração, ou entendimento das mensagens do Evangelho de Jesus Cristo, faz uma prece profunda do imo de teu coração e recorre ao amigo Emmanuel, e com certeza serás ajudado pela intuição, e receberás a inspiração necessária para tua compreensão das palavras daquele que é “O Caminho a verdade e a Vida”.

Francisco Rebouças