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domingo, 24 de abril de 2011

AO CORPO HUMANO

Augusto Dos Anjos

Ri, corpo humano, o riso dos palhaços,

Nos espasmos das articulações,

Inda mesmo com a carne em afecções,

Caindo nua, em pútridos pedaços.

Ri, na lubricidade dos devassos

E na volúpia das corrupções,

Inda que se amarfanhem corações

Com teus risos irônicos e crassos.

Ri, sempre, porque a alma, essa, paupérrima,

Dia há de vir se encontrará misérrima,

Com o seu quinhão de lágrimas nos ermos...

Ri, corpo humano, esquálido fantasma,

No mesmo barro obscuro, onde se plasma

A figura dos grandes estafermos.

Livro: Lira Imortal
Chico Xavier/Espíritos Diversos
 
Francisco Rebouças