Em épocas de eleições sempre nos defrontamos com as inúmeras correspondências que nos são enviadas pelos milhares de candidatos ávidos por conquistar votos para sua efetivação entre os privilegiados que conseguirão a glória da eleição tão almejada e disputada com os mais variados recursos, sejam lícitos ou ilícitos, decentes ou indecentes válidos ou inválidos.Muitos dos confrades espíritas ficam absolutamente indiferentes ao processo eletivo, pouco se incomodando com o fato de que o candidato que se eleger com sua ajuda direta ou indireta, vai interferir diretamente em sua vida e na vida de todos os demais cidadãos de nossa sociedade. Muitos desses confrades por receio de se envolver em assuntos de política que dizem não ser para espíritas sérios, defendendo veementemente que não deve haver candidatos espíritas no processo de eleição para esse desiderato, que segundo afirmam é algo indigno para um homem honesto, decente e de bem.
Defendem com rigor seus argumentos fundamentados na tese de que candidatos espíritas poderiam se envolver em falcatruas e outras diversas situações muito comuns aos políticos, vide mídia diária, que manchariam a imagem e o bom nome do Espiritismo, incentivando ainda mais o combate dos adversários de nossa filosofia religiosa.
Não crêem que haja um candidato capaz de vencer os riscos que o cargo político oferece ao eleito, não dando a quem quer que seja a oportunidade de vivenciar os possíveis dons morais de que possa ser portador, esquecendo que o Dr. Bezerra de Menezes foi político e pelas suas ações provou que isso é perfeitamente possível.
Não param para pensar que a política está presente no dia-a-dia de cada homem ou mulher, quando faz sua escolha em qualquer assunto de sua vida, na busca de optar sempre pelo que melhor lhe satisfizer, e que ele mesmo se julga perfeitamente digno das ações que executa na realização de compromissos e afazeres, com essa finalidade, e que o espírita não deve ser um cidadão diferente dos demais, pois, está reencarnado neste mundo, com as mesmas oportunidades dos demais irmãos em caminhada evolutiva, sendo por isso mesmo, também responsável pelo progresso e desenvolvimento de nosso planeta.
Como espíritas que nos dizemos ser, precisamos atentar para que essa escolha dos nossos representantes se faça de forma consciente, buscando analisar as propostas dos inúmeros candidatos e confiar nossas esperanças naqueles que como nós defendam e favoreçam a vida e não a morte pelo aborto, ou a pena de morte, eutanásia etc., independentemente de serem ou não espíritas, pois, o que nos interessa são as boas resoluções que defendam para a construção e desenvolvimento da ordem da paz e do progresso das sociedades e dos povos.
Quanto à opção de alguns confrades de se candidatarem aos cargos políticos, nada temos contra, pois, eles têm o direito de pleitearem ao cargo que aspiram, só não podem esquecer que a mensagem espírita os tornam muito mais responsáveis pelos votos de confiança neles depositados em virtude do conhecimento que detêm da Lei de Causa e Efeito que a todos abrange, cada qual na medida de seus conhecimentos e responsabilidades.
Precisamos no entanto entender, que o simples fato de serem espíritas não os fazem merecedores dos nossos votos, precisamos meditar de forma equilibrada sobre seu procedimento como cidadão fazendo uma análise consciente de suas ações na sociedade em que se movimentam, pois, não estamos votando em defensores do espiritismo e sim, em construtores de uma sociedade mais humanizada, pacíficada e feliz, independentemente da filosofia religiosa que professem.
Francisco Rebouças