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terça-feira, 24 de agosto de 2010

O primeiro juiz


OBEDECENDO às ordens do Pai Amoroso e Justo, o primeiro juiz aproximou-se dos príncipes, efetuando as corrigendas possíveis.

Os descuidados herdeiros do Grande Rei não lhe observaram a chegada de modo direto, mas sentiram-lhe a presença nas atividades comuns. Retificando os caminhos dos aprendizes, o primeiro juiz era obrigado a fazer muitas coisas desagradáveis, como o pedreiro amigo e cuidadoso que, para tornar a pedra útil, é forçado, muitas vezes, a espancá-la com o martelo.

Numerosos príncipes e princesas começaram então a reconhecer que andavam em caminho errado. Muitos concluíam que fazer inimigos não representava prazer; que, afinal de contas, havia um poder muito mais alto que o deles, governando o Universo. Grande parte modificou a vida.

Em verdade não viam com os olhos do corpo o emissário que o Soberano lhes mandara.

Entrementes, o primeiro juiz trabalhava sem cessar, acordando-lhes a consciência adormecida.

Obrigou-os a meditar nas origens divinas da Escola; estimulou-lhes a curiosidade, a fim de reconhecerem que se encontravam de passagem no educandário maravilhoso, e fê-los olhar a luz celeste em que se banham os impérios resplandecentes do Poderoso Senhor, para que se sentissem menos vaidosos e mais aplicados ao estudo e ao trabalho cotidiano.

Desde então, os príncipes encontraram no primeiro juiz um educador de primeira ordem e um companheiro admirável para a jornada de retorno às leis do Amoroso Pai.

Livro: Os Filhos do grande Rei
Chico Xavier/Espírito Veneranda
 
Francisco Rebouças