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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Parábola do servo vigilante

Lê-se em Lucas, 12:35 a 48:

“Estejam cingidos os vossos lombos e tende nas mãos tochas acesas; sede semelhantes aos servos que esperam a seu Senhor, ao voltar das bodas, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.

Bem-aventurados aqueles servos a quem o Senhor achar vigiando quando vier; na verdade vos digo que ele se cingirá, e os fará sentar à mesa, e, passando por entre eles, os servirá. E se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e assim os achar, bem-aventurados são os tais servos.

Mas, sabei isto: se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão, vigiaria, sem dúvida, e não deixaria minar a sua casa. Vós outros, pois, estai apercebidos, porque à hora que não cuidais, virá o Filho do homem.

Disse-lhe então Pedro: Senhor, tu propões esta parábola só a nós outros, ou também a todos?

E Jesus lhe disse: Quem crês que é o despenseiro fiel e prudente que o Senhor pôs sobre a família, para dar a cada um a seu tempo a ração de trigo? Bem-aventurado aquele servo que, quando o Senhor vier, o achar assim obrando. Verdadeiramente vos digo, que ele o constituirá administrador de tudo quanto possui. Porém, se disser o tal servo no seu coração: Meu Senhor tarda em vir, e começar a espancar os servos e as criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, virá o Senhor daquele servo no dia em que ele o não espera, e na hora em que ele não cuida, e o removerá, pondo-o à parte com os infiéis. Porque àquele servo que soube a vontade de seu Senhor, e não se apercebeu, e não obrou conforme a sua vontade, dar-se-lhe-ão muitos açoites; mas aquele que não o soube, e fez coisas dignas de castigo, levará poucos açoites. A todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será pedido; e ao que muito confiaram, mais conta lhe tomarão.”

Este trecho do Sermão Profético, proferido pelo Mestre quase ao final de sua missão entre os terrícolas, é uma exortação ao trabalho e à vigilância.

Recomenda ele nos mantenhamos firmes na execução das tarefas que nos cabe realizar, em benefício de nosso progresso espiritual e no de nossos semelhantes, pois, cristãos que pretendemos ser, estamos neste mundo na situação de despenseiros, cumprindo-nos assistir a família do Senhor — a Humanidade, conforme sejam as necessidades de cada um.

Se assim fizermos, se estivermos sempre prontos, com a cinta cingida e a candeia acesa, em condições de servir e de iluminar de que de nós se acercam, a fim de lhes ensinar o caminho que conduz a Deus, estaremos sendo bons servos, conquistaremos com isso a confiança do Senhor, e Ele nos tomará como Seus prepostos, constituindo-nos administradores de Seu patrimônio, o que equivale a dizer, obreiros da Providência Divina.

Sabemos, através do Evangelho, qual é “a vontade do Senhor”, como Ele quer que ajamos. Aí estão, por toda a parte, os famintos, os maltrapilhos, os desajustados, precisando de nosso amparo, auxilio e proteção; os ignorantes e transviados, reclamando nosso esclarecimento, orientação e estímulo para o bem; os sofredores de todos os matizes, carecidos de nossos exemplos de fé, de esperança, de paciência e de resignação, a fim de suportarem melhor as vicissitudes terrenas.

Cumpre-nos dar boa conta dos compromissos que assumimos perante o Cristo; cuidando com dedicação e zelo daqueles que ele nos haja confiado.

Quão felizes haveremos de ser, no outro lado da Vida, se a “morte” nos surpreender assim obrando!

Mas, se desprezarmos a advertência do Mestre; se, levianamente, acreditarmos que “o Senhor tarda em vir”, e nos entregarmos às paixões, aos vícios, aos gozos mundanos, e, de candeia apagada, mergulharmo-nos cômoda-mente no sono do esquecimento, deixando de fazer aquilo que nossa consciência nos aponta como deveres impostergáveis, tão inesperadamente quanto o ladrão nos assalta a residência, receberemos a visita da “ceifeira”, e então...

Transferidos para as trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes, iremos sofrer as conseqüências de nossa incúria e desídia, sofrimento esse que será proporcional ao maior ou menor grau de compreensão evangélica que tivermos, pois “a quem muito foi dado, muito será pedido, e maiores contas serão tomadas a quem muito foi confiado.”

Amigos e irmãos, não sabemos a que horas o Senhor nos baterá à porta, se na segunda, se na. terceira vigília, o que significa: se na mocidade, ou na velhice.

Portanto, estejamos apercebidos!

Livro: Parábolas Evangélicas
Rodolfo Calligaris
 
 
Francisco Rebouças