CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA
55. - Um último caráter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua substância, alia-se à Ciência que, sendo a exposição das leis da Natureza, com relação a certa ordem de fatos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis. As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas idéias que formaram de Deus.
O Espiritismo, pois, não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha evidentemente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, sem o que ele se suicidaria. Deixando de ser o que é, mentiria à sua origem e ao seu fim providencial. Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qual quer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará. (1)
______________________________________________________________(1) Veja-se, em O Evangelho segundo o Espiritismo, "Introdução", item II, e Revue Spirite, de abril de 1864, pág. 99: "Autoridade da Doutrina Espírita; comprovação universal do ensino dos Espíritos".
Fonte: A Gênese - FEB, 36ª edição - Cap. I, item 55.
Francisco Rebouças