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segunda-feira, 31 de maio de 2010

HISTÓRIA DE UM SONETO


Em 1931. desencarnara um amigo do Chico, em Pedro Leopoldo.

Cavalheiro digno, católico muito distinto e pai de família exemplar.

O Médium acompanha o enterro.

Na cidade, da igreja ao Cemitério, é longo o percurso.

Um padre presente abeira-se do rapaz e pergunta:

— Então, Chico, dizem que você anda recebendo mensagens do outro mundo...

— É verdade, reverendo. Sinto que alguém me ocupa o braço e se serve de mim para escrever...

— Tome cuidado. Lembre-se de que o EspÍrito das Trevas tem grande poder para o mal.

— Entretanto, padre, os espíritos que se comunicam somente nos ensinam o bem.

O sacerdote retirou um papel em branco da intimidade de um livro que sobraçava e convidou:

— Bem, Chico, estamos no Cemitério, acompanhando um amigo morto... Tente alguma coisa.

Vejamos se há aqui algum espírito desejando escrever.

Chico recebe o papel e concentra-se.

Em poucos instantes, sente o braço tomado pela força espiritual e psicograf a a poesia aqui transcrita:

ADEUS

O sino plange em terna suavidade,
No ambiente balsâmico da igreja;
Entre as naves, no altar, em tudo adeja
O perfume dos goivos da saudade.

Geme a viuvez, lamenta-se a orfandade;
E a alma que regressou do exílio beija
A luz que resplandece, que viceja,
Na catedral azul da imensidade...

“Adeus, Terra das minhas desventuras...
Adeus, amados meus...“ — diz nas alturas...
A alma liberta, o azul do céu singrando...

— Adeus... — choram as rosas desfolhadas,
— Adeus... — clamam as vozes desoladas
De quem ficou no exílio soluçando...

Auta de Souza
Este soneto foi incorporado ao “Parnaso de Além-Túmulo”.

Livro: Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama
 
Francisco Rebouças