Nas tarefas de construções do bem, é preciso prever a retirada por desistência de muitos dos companheiros que conosco iniciam um trabalho e, em muitas ocasiões, nos deixam sem maiores explicações, até mesmo aqueles que se nos fazem mais estimáveis, dos quais jamais esperaríamos tal atitude.
É preciso suportar a dor da separação e não se deixar abater, pois na maioria das vezes a perda não é tão grande quanto inicialmente se imagina, e em muitos, casos até mesmo benéfica e necessária, para testar nossa perseverança e nosso destemor, e provarmos que somos capazes de suportá-la e superá-la, como as árvores superam a poda e se renovam.
Não tem sentido, tornando-se até mesmo erro grave, reter conosco um ente amigo que anseia por se distanciar, pois ele também tem seus horizontes interiores, suas aspirações a realizar, muitas das vezes para sua própria realização pessoal, e que não encontra em nossa companhia.
Na grande maioria dos casos, os nossos destinos se desdobram em situações que não compreendemos, seguimos juntos até certo ponto da estrada, partindo daí em diante cada qual seu caminho, escolhendo na bifurcação que se apresenta à nossa frente a rota onde cada indivíduo terá que se decidir por seguir para atender aos desígnios do seu progresso individual, e esse tipo de ocorrência, não pode servir de constrangimento para ninguém, pois cada um de nós terá que prestar contas de suas escolhas, responsabilizando-se pelas ocorrências que terá que enfrentar ao longo do caminho escolhido.
Quando alguém nos abandonar, no meio de qualquer empreendimento é que a tarefa nos está sob a responsabilidade e, por isso mesmo, devemos enfrentar as tribulações para sua realização mesmo que seja sozinhos, sabendo que para isso Deus nos dotou de toda a capacidade necessária para triunfarmos, não tendo motivos para desesperação ou desânimo infundados.
Se não nos for possível realizá-la em regime de solidão, sem a ajuda externa, estejamos certos de que na hora exata, a Divina Providência suscita o aparecimento de novos companheiros que se nos associam à luta edificante.
É necessário entender que, não temos o direito de pedir ou exigir de outrem aquilo que ele não nos possa dar, ao contrário, devemos compreender a sua passageira situação e, se possível for, ajudá-lo, para que em ocasião futura, melhor esclarecido de suas responsabilidades, não volte a cometer atitudes como as de agora.
Não amaldiçoemos nem menosprezemos a quem quer que seja, busquemos na oração e no silêncio ouvir a mensagem de ajuda do alto em nosso favor, e deixemos a Deus o justo julgamento, pois só ele pode auscultar o íntimo de cada uma das suas criaturas.
Sigamos confiantes, otimistas, esperançosos, na absoluta certeza de que nada foge ao desígnio das Leis Divinas, e nossa vitória ou derrota ao final do combate, depende exclusivamente de nossa aplicação no trabalho do nosso próprio burilamento, procurando fazer o que nos compete, sem falsos motivos para justificar a nossa inoperância nesta ou naquela tarefa que é de nossa inteira responsabilidade e, que costumeiramente, buscamos desculpas infundadas para o fracasso do empreendimento que nos está confiado.
Francisco Rebouças.