Watford, 09/05/06
Em qualquer das abençoadas e proveitosas oportunidades de lazer, quando na companhia de familiares, nos deliciamos na curtição de nossas férias ou no cumprimento de algum compromisso de ordem social, em que temos a felicidade de visitar e conhecer, pessoas diferentes das do nosso convívio natural, noutras cidades, com seus inúmeros pontos turísticos, praças, etc., em nosso país ou mesmo no exterior, encontramos pessoas de variadas nacionalidades, se comunicando em diferentes idiomas, em seus trajes típicos, com seus costumes bastante diferentes dos nossos etc., e, ao chegar em casa, em uma dessas oportunidades, me pus a analisar a grandeza e variedade das belas e diferentes culturas espalhadas por esse nosso planeta.
Cheguei, então, à conclusão de que são bem interessantes as diferenças que existem entre os cidadãos de países às vezes vizinhos, em termos culturais, morais, intelectuais, além de fisicamente não se parecerem em nada.
Pensei, então, na infinita sabedoria desse Deus que tudo criou, e constatei sem qualquer ponta de dúvida que, somos mesmo todos irmãos, e que dia-a-dia, mais nos convencemos da sua infalível justiça e misericórdia para com todos os seus filhos, pois, enquanto muitos estão a passeio, curtindo as novidades e as paisagens naturais das respectivas cidades, outros tantos, nos mesmos locais, estão em situação nada agradável, isto é, encontram-se de braços estendidos a pedir ajuda e esmolas, em trajes sujos e aparência de quem carece não só dos bens materiais, tão necessários em nossa vida, mas principalmente de afeto, carinho e amor dos seus familiares, muitos deles tão distantes.
A situação individual de cada criatura na terra, é tão diferente, e se não desfrutássemos como muitos não desfrutam ainda da bênção da doutrina espírita, estaria eu também a pensar que Deus os amaldiçoou, e os entregou à própria sorte, sem que nada tivessem feito para tal cometimento, responsabilizando o acaso, por tanta incoerência, desprezo e maldade, sem conseguir ver nessas situações a bondade e justiça de um Pai amoroso e bom.
Em O Livro dos Espíritos, encontramos valiosos ensinamentos ministrados pelos Espíritos Superiores sobre o assunto conforme segue:
806. É lei da Natureza a desigualdade das condições sociais?
“Não; é obra do homem e não de Deus.”
a) - Algum dia essa desigualdade desaparecerá?
“Eternas somente as leis de Deus o são. Não vês que dia da dia ela gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição social.”
807. Que se deve pensar dos que abusam da superioridade de suas posições sociais, para, em proveito próprio, oprimir os fracos?
“Merecem anátema! Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos: renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem feito sofrer aos outros.” (684)
814. Por que Deus a uns concedeu as riquezas e o poder, e a outros, a miséria?
“Para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.”
815. Qual das duas provas é mais terrível para o homem, a da desgraça ou a da riqueza?
“São-no tanto uma quanto outra. A miséria provoca as queixas contra a Providência, a riqueza incita a todos os excessos.”
816. Estando o rico sujeito a maiores tentações, também não dispõe, por outro lado, de mais meios de fazer o bem?
“Mas, é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. Com a riqueza, suas necessidades aumentam e ele nunca julga possuir o bastante para si unicamente.”
A alta posição do homem neste mundo e o ter autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a desgraça, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações têm que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder.
A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse: “Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus.”
Com os esclarecimentos, que obtemos no estudo sério e acurado dos postulados contidos na codificação espírita, já temos suficientes motivos para procedermos de forma bem diferente de quando não entendíamos os reais motivos para cada situação que se apresenta à nossa frente, e tentando minimizar o quanto nos seja possível o sofrimento do nosso irmão em caminhada, procuremos tirar de tudo quanto observarmos, as melhores lições, extraindo desses fatos lamentáveis infelizmente, as experiências que nos ajudem a evitar cair em tentações, pois já sabemos que não foram sem motivos que o Mestre de Nazaré nos asseverou que “a cada um, segundo as suas obras”, e que tudo está sob rigoroso controle das Soberanas Leis da Justiça Celeste.
Bibliografia: Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos, FEB -77ª edição.
Francisco Rebouças.