Caros amigos, em virtude da grande aceitação que teve nossa idéia de trazer as instruções seguras sobre o tema Atendimento Fraterno, comprovado pelo grande número de e-mails que recebemos, estamos dando continuidade ao estudo deste importante tema, tendo como base o livro Atendimento Fraterno do projeto Manoel Philomeno de Miranda.
Estude conosco!
Estude conosco!
NO TRANSPORTE COLETIVO
Verifique, sempre, quem está sentado ao seu lado, familiarizando-se com aquela fisionomia que lhe parece desconhecida.
Pense: “Poderá ser alguém que esteja enfrentando as dificuldades naturais da existência, carregando, nos om¬bros, difíceis problemas íntimos; senão, poderá ser um amigo que a vida está me trazendo de volta”.
Tente auscultar o que transita na mente da pessoa, mantendo uma conversação amistosa; aborde um assunto agradável para sondar-lhe a alma e, notando algum indício de qualquer carência relacionada com a personalidade fragilizada, fale da necessidade da comunhão com o Criador, que sempre dá sinal de Seu amor pelas criaturas através de uma infinidade de meios, e, em particular, pelos fios invisíveis do pensamento quando, em prece, a Ele nos ligamos.
Demonstre o seu interesse por aquilo que ele fala pois, assim, terá a oportunidade de prender a atenção do novo amigo para o que você lhe quer transmitir. E passe-lhe pequenas notas de compreensão e de interesse, cons¬truindo, a partir daquele instante, vínculos novos de amizade fraternal.
É a sua oportunidade para, discretamente, aplicar os recursos de uma construção de ajuda, sem interesses subalternos. Introduza, nos sentimentos dessa pessoa, que lhe parece um estranho, a força estimulante da sua afetividade, qual o bom samaritano que usa dos recursos da caridade ao próximo sem a preocupação de identificar-se.
Não se preocupe em tornar-se inoportuno. Fale sem constrangimento, atirando a semente de bom-humor no solo promissor daquela alma merecedora de atenção.
Sentado ao lado de um rapaz, visivelmente deprimido, na classe de um trem suburbano, aquele coração gentil conseguiu saber, através de suas habilidades inter-pessoais, do grande drama que se escondia naquele coração:
— “Minha prisão envergonhou meus pais. Nenhum dos meus parentes visitou-me durante os oito anos que passei na Penitenciária Estadual pagando a dívida que contraí para com a Sociedade.”
O rapaz conjecturava que isso tivesse acontecido porque seus genitores eram pessoas de poucas letras e sem recursos financeiros para viajar. No entanto, uma grande interrogação o inquietava a todo instante: “Será que os meus entes queridos já me perdoaram?”
Para facilitar as coisas, escrevera previamente para eles, dizendo que colocassem um aviso qualquer onde o trem iria parar, afim de facilitar a sua decisão de continuar viagem ou regressar difinitivamente ao lar.
Quando o comboio de ferro se aproximou da cidade, embora as palavras otimistas e cheias de esperança que o amigo inesperado lhe dissera, o jovem não estava em condições psicológicas de olhar para a janela com o intuito de verificar a mensagem que os pais tinham para ele.
Seu companheiro de viagem delicadamente ofereceu-se para essa incumbência, trocando de lugar com ele e se pondo a observar através da janela. Minutos depois, colocou a mão no braço trêmulo do ex-sentenciado dizendo em sussurro e emocionado:
— Vê, agora.
E o rapaz, com lágrimas incontidas nos olhos, leu a mensagem de boas vindas:
— Benvindo sejas, filho de nossa alma.
NO CENTRO ESPÍRITA
Ao perceber alguém que chega, por primeira vez, a Casa Espírita a que você está vinculado por laços de afeição e compromissos de serviços, aproxime-se, sorria, converse... seja alguém a dar boas-vindas com efusão de legítima fraternidade. Esse não é um trabalho protocolar e formal da responsabilidade exclusiva de quem dirige a Casa, mas um impulso espontâneo de quem está feliz com a convivência cristã e, por isso mesmo, interessado em expandir sentimentos de amizade.
Lembre-se que uma recepção fria traduz apatia injustificável, e que a presença de alguém na Casa Espírita, por muito tempo despercebida, demonstra que os que estão ali albergados se encontram enclausurados em si mesmos e pouco interessados na expansão da Boa Nova na Terra.
Que seja a sua presença na Casa Espírita uma viagem permanente ao coração de seu irmão.
Integre-se no espírito da alegria, disputando a honra de trabalhar, com todos e entre todos, sem preocupações hegemônicas ou dominadoras.
Cordialidade permanente, silêncio a qualquer impulso maledicente, o máximo de empenho para o aproveitamento de toda e qualquer contribuição, sem cobranças, exibicionismos, querelas... lembre-se que, em parte, depende de você o clima de amizade que atrairá os bons Espíritos.
Se marcas do passado e desafios do presente lhe ameaçam o compromisso com a postura fraternal, discipline os impulsos e cumpra o seu dever de trabalhar e servir até que possa amarem profundidade. Não seja você a pedra de escândalo, nem o ácido dissolvente da amizade, mas, antes de tudo, um ponto de referência para que o amor triunfe.
Cuidado com a indiferença, o desapreço e as preferências para que tais atitudes não maculem a sua participação no esforço coletivo.
Se o companheiro se afastou, conquanto não saiba o motivo, interesse-se por ele; nada custa um telefonema, uma visita, uma conversa estimuladora e, se enfermo, a sua presença junto a ele. São essas atitudes deveres impostergáveis, sem os quais a convivência cristã deixa de ter sentido, tornando-se igual a outra qualquer.
As vezes, você deixa de adotá-las, não por descaso, mas por excesso de trabalho ou preocupações com os seus próprios problemas. Todavia, reveja a atitude e refaça as prioridades, pois os deveres da solidariedade estão em primeiro lugar no coração do espírita.
Livro: Atendimento fraterno
Divaldo Franco/Manoel Philomeno de Miranda
Francisco Rebouças