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QUINTA PARTE DOUTRINAÇÃO
61- Como deve processar-se a doutrinação dos desencarnados nas reuniões mediúnicas?Raul - A doutrinação, ou esclarecimento, dirigida aos companheiros desencarnados, que se apresentam nas reuniões de intercâmbio mediúnico, deve ser processada dentro de um clima de entendimento e respeito, estando certo o doutrinador, ou esclarecedor, de estar dialogando com um ser humano, cuja diferença mais notável é a estar o espírito despojado do corpo físico.
Refletindo sobre tal verdade, o doutrinador não ignorará que o desencarnado continua com possibilidades de sentir simpatia ou antipatia, de nutrir amor ou ódio, alegria ou tristeza, euforia ou depressão.
Que ele pode ainda ser lúcido ou embotado, zombeteiro, leviano, emotivo ou frio de sentimentos.
A doutrinação, a partir dessa reflexão, se desenvolverá como um diálogo com outro ser humano, quando pelo menos um dos conversadores é nobre e atencioso. Assim, evitar-se-ão, por parte do doutrinador, ameaças, chantagens, irritação ou desdém.
Em tudo, o bom senso. O doutrinador deixa a entidade falar, dizer a que veio, o que deseja, e, daí, vai conversando, perguntando sem agressão, chamando o desencarnado à meditação, à compreensão, admitindo, contudo, que, nem sempre, será tarefa muito fácil ou imediata, como entre pessoas encarnadas que têm dificuldade de entender as coisas, por múltiplas razões, e passam longos meses ou mesmo anos, às vezes, para reformar uma opinião ou abrir mão de determinados costumes ou procedimentos.
62- No atendimento a espíritos sofredores, o doutrinador deve, antes de mais nada, fazer o comunicante conhecer a sua condição espiritual?
Divaldo - Há que perguntar-se, quem de nós está em condições de receber uma notícia, a mais importante da vida, como é a da morte, com a serenidade que seria de se esperar?
Não podemos ter a presunção de fazer o que a Divindade tem paciência em realizar. Essa questão de esclarecer o espírito no primeiro encontro é um ato de invigilãncia e, às vezes, de leviandade, porque é muito fácil dizer a alguém que está em perturbação: Você já morreu! É muito difícil escutar-se esta frase e recebê-la serenamente.
Dizer a alguém que deixou a família na Terra e foi colhido numa circunstância trágica, que aquilo é a morte, necessita de habilidade e carinho, preparando primeiro o ouvinte, a fim de evitar-lhe choques, ulcerações da alma.
Considerando-se que a terapêutica moderna, principalmente no capítulo das psicoterapias, objetiva sempre libertar o homem de quaisquer traumas e não lhe criar novos, por que, na Vida Espiritual, se deverá usar uma metodologia diferente ?
A nossa tarefa não é a de dizer verdades, mas, a de consolar, porque, dizer simplesmente que o comunicante já desencarnou, os Guias também poderiam fazê-lo. Deve-se entrar em contato com a entidade, participar da sua dor, consolá-la, e, na oportunidade que se faça lógica e própria, esclarecer-lhe que já ocorreu o fenômeno da morte mas, somente quando o espírito Possa receber a notícia com a necessária Serenidade a fim de que disso retire o proveito indispensável a sua paz. Do contrário, será perturbado prejudicá-lo gravemente, criando embaraços para os Mentores Espirituais.
63- Será plausível que se desenrole a doutrinação de desencarnados por meio de uma Pequena palestra, em que o doutrinador possa expressar-se como quem faz uma conclamação?
Raul – O doutrinador dispensará sempre os discursos durante a doutrinação entendendo-se aqui discurso não como a linha ideológica utilizada, mas, sim, a falação interminável, que não dá ensejo à outra parte de se exprimir, de se explicar
Muitas vezes na ânsia de ver as entidades esclarecidas e renovadas o doutrinador se perde numa excessiva e cansativa cantilena, de todo improdutiva e enervante.
O diálogo com os desencarnados deverá ser Sóbrio e consistente ponderado e clarificador, permitindo boa assimilação por parte do espírito e excelente treino lógico para o doutrinador.
64- Pode-se dizer que a responsabilidade do doutrinador é do mesmo nível da dos demais médiuns participantes da sessão?
Raul – É quase o mesmo que se indagar se a responsabilidade do timoneiro é a mesma da tripulação de um navio.
O Livro dos Médiuns, no seu item 331 (capítulo 29º), na palavra esclarecida de Allan Kardec, assevera que “a reunião é um ser coletivo”. Em sendo assim, não poremos dúvida de que todos são grandemente importantes no desenrolar da sessão.
Sem laivos de dúvida, as responsabilidades se equiparam, sendo que cada qual estará atendendo as suas funções, mas todas são do mesmo modo importantes.
Se o timão estiver bem conduzido e a casa de máquinas mal cuidada ou relaxada, poderão decorrer graves acidentes. O Contrário também ensejaria sérias conseqüências. Assim, médiuns, doutrinadores, aplicadores de passes precisarão estudar e renovar-se, para melhor atender aos seus deveres.
Livro: Diretrizes de Segurança
Divaldo Franco/Raul Teixeira
Francisco Rebouças