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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Atendimento Fraterno

Caros amigos, em virtude de grande número de pedidos que recebemos, para falar de atendimento fraterno, iniciamos hoje o estudo deste importante tema, tendo como base o livro Atendimento Fraterno do projeto Manuel Philomeno de Miranda. Que seja de grande valia para todos nós que militamos na Seara Espírita, mais precisamente, como tarefeiros do atendimento Fraterno em nossas casas espíritas.
ATENDIMENTO FRATERNO - Primeira parte

ENTREVISTA COM DIVALDO FRANCO (*)

José Ferraz: — Qual a utilidade doutrinária do serviço de Atendimento Fraterno na Casa Espírita?

Divaldo: — Receber as pessoas, orientando-as quanto às possibilidades de que a Casa dispõe em forma de recursos que são colocados às ordens daqueles que vêm até ao núcleo de iluminação espiritual, encaminhando os que têm problemas para receberem as respostas pertinentes às suas necessidades e, por fim, fazendo o trabalho educativo e fraternal de bem conduzir todos aqueles que batem às portas da Instituição Espírita.

João Neves: — É benéfico para as pessoas que recorrem à terapia dos passes serem, antes, assistidas e orientadas pelo atendente fraterno?
(*) A presente Entrevista foi proposta e realizada no transcurso de reunião pública do Centro Espírita Caminho da Renção, em Salvador, Bahia.

Divaldo: O Atendimento Fraterno é uma psicoterapia que modifica a estrutura do problema no indivíduo que se acerca da Casa Espírita com idéias que não correspondem à realidade.

Pode-se dizer que, desse contato pessoal que antecipa o passe, muitas vezes o cliente já se beneficia, sendo até mesmo desnecessária a aplicação da bioenergia.

Vivemos numa sociedade que padece conflitos psicossociais, sócio-econômicos, comportamentais, cujos individuos têm necessidade de fazer catarse. Como o atendimento psicanalítico é muito caro e muito prolongado, no Atendimento Fraterno o indivíduo tem a oportunidade de abrir a alma ao bom ouvinte, que o pode orientar com segurança e demitizar o significado do passe.

Como é natural, a desinformação atribui ao passe um caráter de natureza miraculosa, o que tem levado algumas pessoas menos esclarecidas a estabelecer o número deles para a solução de certos problemas, o que não deixa de ser um equívoco, porque se poderá aplicá-los em número infinito e, se o paciente não se transformar interiormente, de nada adiantará a terapêutica. Se ele não se abrir para assimilar as energias, faz-se semelhante a uma pedra granítica que, apesar de estar mergulhada em águas abissais por milhões de anos, ao ser arrebentada encontra-se seca interiormente.

José Ferraz: — Quais são os requisitos indispensáveis para que uma pessoa, na função de atendente fraterno, possa sintonizar com os Bons Espíritos?

Divaldo: — A condição essencial é a boa moral. Doponto de vista espiritista o requisito moral do indivíduo é relevante, imprescindível. Utilizamo-nos de um brocardo popular: “Diz-me quem és e eu te direi com quem andas; diz-me com quem andas e eu te direi quem és”.

Ir a Deus através da prece é outra condição, pois se abrem os canais psíquicos para uma perfeita sintonia com o Mundo Espiritual que nos assiste no atendimento às criaturas da Terra.

Além desses caracteres essenciais, além dos valores morais, é imprescindível o conhecimento da Doutrina Espírita.

Não se pode propiciar um bom atendimento fraterno na Casa Espírita, sem que se conheça o Espiritismo, o que seria paradoxal, falando-se de uma coisa com a qual não se está identificado.

O conhecimento amplo da Doutrina Espírita é um requisito que tem caráter primacial, porque a pessoa irá falar a respeito daquilo que é a essência da Doutrina a fim de que o cliente recém-chegado se inteire do que pode conseguir.

Um bom tato psicológico é necessário. A capacidade de saber ouvir é valiosa, porque o cliente, normalmente, quer falar. Na maioria das vezes, não deseja ouvir respostas, quer “desabafar”, como muitos o afirmam, porque, na falta de uma resposta para o problema, ele necessita de alguém que o ouça. Então, o atendente deve possuir esse tato psicológico para dar oportunidade ao visitante de liberar-se do conflito. Evitar, quanto possível, que ele fale de questões íntimas, de que se arrependerá depois, quando passar o problema.

O Atendimento Fraterno não é um confessionário. Como o próprio nome diz, é um encontro, no qual se atende fraternalmente àquele que tem qualquer tipo de carência.

Com tato psicológico pode-se desviar, no momento oportuno, uma questão que seja inconveniente e interromper o cliente na hora própria, a fim de que não se alongue demasiadamente, gerando um “élan” de afinidades entre o terapeuta do atendimento e aquele que o busca, evitando produzir-se o que, às vezes, ocorre entre o psicoterapeuta convencional e o seu paciente.

O atendente fraterno deve manter-se em condição não preferencial por pessoas, numa neutralidade dinâmica, como diria Joanna de Ângelis, porque todos são iguais — diz a Justiça — perante a Lei. A todos, então, que tem problemas e nos buscam, deveremos atender com carinho, sem preferências, sem excepcionalidades e sem absorvermos o seu problema, para que ele não se torne um paciente nosso e não transfira todos os seus desafios para nossa residência. Não poucas vezes, o mesmo perguntará: — Quando eu tiver um problema posso telefonar-lhe? — Não — será a resposta — em casa eu tenho outros compromissos; você virá quando necessitar, aqui ao Atendimento.

João Neves: — Pessoas há, que embora interessadas nas orientações do Atendimento Fraterno, estão tão presasàs idéias fixas, que dificultam a absorção da orientação. Como fazer, para ajudá-las a desviar essas fixações?

Divaldo: — Deixar, primeiro, que falem. O primeiro encontro é sempre muito difÍcil. A pessoa vem com muitas idéias que não correspondem à realidade; ou vem céptica, e fala com certa indiferença; ou vem fascinada pela hipótese de ter o problema resolvido no primeiro encontro. Então acha que pelo fato de estar numa Casa Espírita, os seus problemas já não mais irão afligi-la.

Essa pessoa, no momento em que começa a falar, deveremos deixá-la expor a sua dificuldade por alguns instantes e, logo depois, interrompê-la, informando-a: — Agora você vai me ouvir.

Se a pessoa insistir, afirmaremos: — Você não veio para me doutrinar, mas sim para pedir conselhos, que eu vou lhe dar. Agora vai depender de você aceitá-los ou não — evitando assim, que a pessoa transforme o Atendimento Fraterno num rosário de queixas. Poderemos dizer também: — Até aqui a sua vida foi dessa forma; neste momento abre-se-lhe uma etapa nova. É necessário que voce me ouça, para poder ver as possibilidades que estão ao seu alcance. Agora pare, e ouça as sugestões que tenho e que são induções simples. Joanna de Ângelis, a nossa Mentora, diz o seguinte: — Tudo começa no pensamento. Toda vez que um pensamento for perturbador, substitua-o por outro que seja positivo.

Se a criatura disser: — Mas, eu não posso...

Responderemos: — Você não quer; mas é o quanto nós lhe podemos dar; além disso, não lhe prometemos nada. Não lhe oferecemos aquilo que não podemos doar, porqüanto não estamos aqui para enganar as pessoas.

Evitar-se, ao máximo, essas expressões de natureza prodigiosa, que martirizam o paciente, dando-lhe informações que ele não tem capacidade para digerir.

Diante de uma pergunta: - Será que eu sou obsidiado? — responda-se com honestidade: — Não sei.

— Será que existem comigo obsessores?

— Eles só estão em contato conosco, porque estamos em sintonia com eles...

Evite-se, tanto quanto possível, aumentar-lhe a carga de aflições com informações indevidas ou que podem não corresponder à realidade.

Livro: Atendimento Fraterno

Psicografado por: Divaldo Pereira Franco
Ditado pelo Espírito: Manoel Philomeno de Miranda



Francisco Rebouças