Solidarity Spiritist Societ

domingo, 20 de dezembro de 2009

Argumentos materialistas

Aprendemos com a doutrina espírita, que o espiritismo é sem dúvida o maior antagonista do materialismo, adquirindo por isso mesmo a antipatia de quantos se deleitam nas teorias do materialismo; que, se colocam então, como adversários ferrenhos da filosofia espírita; é bem verdade, que muito poucos seguidores da doutrina materialista se atrevem a confessar o que são, nos deixando transparecer nitidamente a idéia de que eles não estão tão bem seguros nas suas convicções.

Apegam-se, com unhas e dentes, a defender suas teorias materialistas com o manto da razão e da ciência, e, o que é estranho, os mais descrentes até mesmo falam em nome da religião, que também não conhecem e não compreendem, como o Espiritismo, e não admitem nada que a ciência humana não possa comprovar; não levando em conta, que a ciência humana, apenas engatinha para solucionar os diversos enigmas com que se defronta diariamente, não encontrando explicações convincentes para inúmeros fatos exclusivamente de domínio das leis da matéria, como as descobertas das vacinas contra inúmeras doenças que afligem a humanidade, os preventivos tão sonhados contra a invasão dos insetos nas lavouras etc, etc...

Nas explicações que encontramos tão bem elaboradas pela doutrina espírita, vemos que eles “buscam concentrar seu ponto de ataque no maravilhoso e no sobrenatural, que não admitem. De acordo com eles, o Espiritismo, estando fundado no maravilhoso, não passa de uma suposição ridícula. Eles não pensam que ao condenar, sem restrição, o processo do maravilhoso e do sobrenatural, condenam a religião. De fato, a religião está fundada na revelação e nos milagres; portanto, o que é a revelação senão comunicações extra-humanas? Todos os autores sagrados, desde Moisés, falaram desses gêneros de comunicações. O que são os milagres senão fatos maravilhosos e sobrenaturais por excelência, uma vez que são, no sentido litúrgico, uma anulação das leis da natureza? Portanto, ao rejeitar o maravilhoso e o sobrenatural, rejeitam as próprias bases de toda religião. Mas não é sob esse ponto de vista que devemos encarar a questão.

O Espiritismo não tem de examinar se existem ou não milagres. Se Deus pôde, em certos casos, alterar as leis eternas que regem o universo, o Espiritismo deixa, em relação a isso, toda a liberdade de crença. Diz e prova que os fenômenos em que se apóia nada têm de sobrenatural, a não ser na aparência. Esses fenômenos não parecem naturais aos olhos de certas pessoas, porque estão fora do comum e diferentes dos fatos conhecidos. Mas não são mais sobrenaturais do que todos os fenômenos dos quais a ciência nos dá hoje a solução e que pareciam maravilhosos antes, em uma outra época. Todos os fenômenos espíritas, sem exceção, são conseqüência de leis gerais. Revelam-nos um dos poderes da natureza, poder desconhecido, ou melhor, incompreendido até aqui, mas que a observação demonstra estar na ordem das coisas. O Espiritismo se fundamenta menos no maravilhoso e no sobrenatural do que a própria religião; aqueles que o atacam sob esse aspecto é porque não o conhecem, e ainda que fossem os homens mais sábios, nós lhes diríamos: se a ciência, que vos ensinou tanta coisa, não ensinou que o domínio da natureza é infinito, sois apenas meio sábios”.

A doutrina espírita é a primeira a combater o maravilhoso, o sobrenatural, nos asseverando que, o que muitos assim denominam, não passa de algo desconhecido pela ciência dos homens, e que assim que for descoberto o princípio que rege o tal fenômeno, ele deixará de pertencer ao rol das coisas inexplicáveis para ter uma explicação lógica, como os diversos “milagres” operados por Jesus, que nada mais fez que exercer o seu conhecimento sobre os fenômenos que se lhe apresentaram e resolvê-los com a simplicidade de quem sabe; nós espíritas, não deixamos de dar o devido valor ás coisas da matéria, mas não ficamos apenas nisso, pois que o espiritismo não aceita todos os fatos como sendo maravilhosos ou sobrenaturais, longe disso, demonstra a impossibilidade de grande número deles e o ridículo de certas crenças, que constituem a superstição propriamente dita.

Julgar o espiritismo pelos fatos que ele não admite é dar prova de ignorância sobre seus conceitos, é por isso que, no Livro dos Médiuns Cap. II, item 14, nº 8, O Codificador nos instrui para que não levemos em conta os argumentos de quem quer que combata a doutrina que professamos, sem apresentar as convincentes justificativas para seus argumentos conforme lá está descrito:

“O espiritismo não pode por isso considerar como crítico sério, senão aquele que o tudo tenha visto, estudado e aprofundado, com a paciência e perseverança, de um observador consciencioso; que do assunto saiba tanto quanto qualquer adepto instruído; que haja por conseguinte, haurido seus conhecimentos algures, que não nos romances da ciência; aquele a quem não se possa opor fato algum, que lhe seja desconhecido, nenhum argumento de que já não tenha cogitado e cuja refutação faça, não por mera negação, mas por meio de outros argumentos mais peremptórios; aquele, finalmente, que possa indicar, para os fatos averiguados, causa mais lógica do que a que lhes aponta o Espiritismo. Tal crítico ainda está por aparecer”. ¹

Fonte: Livro dos Médiuns, FEB – 26ª edição.

Francisco Rebouças.