Em mais uma bela página do querido Benfeitor Emmanuel, através da abençoada psicografia de Chico Xavier, contida no “Livro da Esperança”, podemos ter uma noção bem clara de como a justiça divina nos chama ao dever pelos compromissos assumidos por todos nós no terreno da reforma íntima que precisamos empreender na lavoura do progresso evolutivo do espírito eterno, com vistas à quitação de nossas dívidas perante a Suprema Lei de Amor e Caridade.
Aspiramos todos, com a convivência entre espíritos que nos sejam simpáticos, com os quais nos harmonizemos no presente momento de nossas vidas, e no entanto, vinculamo-nos na vida social e doméstica, com uniões menos agradáveis que nos impõem frear nossos impulsos, a sufocar e fazer desistir muitas vezes dos nossos mais belos sonhos.
Não violentemos contudo, a lei que nos preceitua semelhantes deveres na caminhada terrena, pois a nossa situação atual é a melhor possível a nos garantir algum crescimento em termos espirituais, desde que triunfemos na execução de nossos compromissos assumidos perante o tribunal divino.
Esclarece-nos, o benfeitor amigo; que arrastamos do passado para o presente, os débitos e as circunstâncias que hoje nos constrangem a revisar, na esperança de quitarmos nossos débitos perante a justiça de Deus.
Quem são nossos familiares
O esposo de hoje que usa de arbitrariedade, e rudeza para contigo, e te obriga a sacrifícios de heroísmo constante, é o mesmo homem de outras existências, de cuja lealdade escarneceste, acentuando-lhe a afeição agressiva e cruel;
“A Companheira intransigente e obsidiada, a envolver-te em farpas magnéticas de ciúme, não é outra, senão a jovem que outrora embaiste com falsos juramentos de amor, enredando-lhes os pés em degradação e loucura;
Os filhinhos doentes que te desfalecem nos braços, cancerosos ou insanos, idiotizados ou paralíticos são as almas confiantes e ingênuas de anteriores experiências terrestres, que impeliste friamente às pavorosas quedas morais;
Os pais e chefes tirânicos, sempre dispostos a te ferirem o coração, revelam a presença daqueles que te foram filhos em outras épocas, nos quais plantaste o espinheiral do despotismo e do orgulho, hoje contigo para que lhes renoves o sentimento, ao preço de bondade e perdão sem limites.
Espíritos enfermos, passamos pelo educandário da reencarnação, qual se o mundo, transfigurado em sábio anestesista, nos retivesse no lar para que o tempo, à feição de professor devotado, de prova em prova, efetue a cirurgia das lesões psíquicas de egoísmo e vaidade, viciação e intolerância que nos comprometem a alma”.
À Frente das Uniões difíceis
Ensina-nos o benfeitor que: “à frente, pois, das uniões menos simpáticas, saibamos suportá-las, de ânimo firme.
Divórcio, retirada, rejeição e demissão, às vezes, constituem medidas justificáveis nas convenções humanas, mas quase sempre não passam de moratórias para resgate em condições mais difíceis, com juros de escorchar”.
Como proceder
Diz-nos ele: “Ouçamos o íntimo de nós mesmos.
Enquanto a consciência se nos aflige, na expectativa de afastar-nos da obrigação, perante alguém, vibra em nós o sinal de que a dívida permanece”.
Sabemos, que cada caso é um caso, por isso só nos resta procurar o quanto possível, proceder com equilíbrio e discernimento, visando fazer sempre o que estiver ao nosso alcance, aproveitando os ensinamentos daqueles que já nos precederam na estrada árdua do progresso moral como o próprio Emmanuel, e optarmos pelo enfrentamento de nossas dificuldades, ao limite de nossas forças, na certeza de que Deus nos está fortalecendo no propósito sincero de conquistarmos a tão sonhada vitória sobre nós mesmos.
Fonte: Livro da esperança – CEC – Comunhão Espírita Cristã, 15ª Edição
Chico Xavier/Emmanuel
Francisco Rebouças.