É Preciso ter muito cuidado, quando nos referirmos à questão de dar ou não fim à vida de um ser humano, seja por meios das decisões de sentenças de punição por algum ato criminoso cometido por alguém, seja por métodos científicos, em casos em que a pessoa esteja em estado de coma, pois, ninguém em sã consciência pode afirmar que essa pessoa não terá mais possibilidades de se recuperar.
Os espíritos Superiores nos ensinam que precisamos de todos as oportunidades que a Suprema Bondade nos concede na presente encarnação, para enquanto por aqui estivermos, pudéssemos aproveitar de todas as formas possíveis elaborar nossa harmonização com as Leis Divinas perfeitas e imutáveis, ressarcindo ao nosso credor, o que dele nos apropriamos.
A Doutrina espírita nos informa que “fora da caridade não há salvação”, mas, em nome de uma suposta e equivocada caridade, não nos façamos emissários Divinos, agindo em nome de Deus para abreviemos a vida de quem quer que seja, pois, esses momentos finais, da vida de cada indivíduo, podem representar a sua redenção ante os tribunais celestes.
Não temos conhecimento do que cada criatura tem de débito para com a Suprema Justiça, mas sabemos que sendo Deus, Soberanamente Bom e Justo, nada poderá ser cobrado de quem nada deve. Sendo assim, nos resta fazer em nome da caridade que devemos ao nosso próximo, o melhor para preservá-lo na empreitada que trava por seu burilamento na difícil tarefa de crescer e progredir moral e espiritualmente.
Ouçamos com atenção o que nos diz a doutrina espírita sobre o assunto:
Livro dos Espíritos
953. Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?
“É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, mau grado às aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?”
a) - Concebe-se que, nas circunstâncias ordinárias, o suicídio seja condenável; mas, estamos figurando o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada de alguns instantes.
“É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.”
b) - Quais, nesse caso, as conseqüências de tal ato?
“Uma expiação proporcionada, como sempre, à gravidade da falta, de acordo com as circunstâncias.” ¹
Evangelho Segundo o Espiritismo
Dever-se-á pôr termo às provas do próximo?
– Deve alguém pôr termo às provas do seu próximo quando o possa, ou deve, para respeitar os desígnios de Deus, deixar que sigam seu curso?
Já vos temos dito e repetido muitíssimas vezes que estais nessa Terra de expiação para concluirdes as vossas provas e que tudo que vos sucede é conseqüência das vossas existências anteriores, são os juros da dívida que tendes de pagar. Esse pensamento, porém, provoca em certas pessoas reflexões que devem ser combatidas, devido aos funestos efeitos que poderiam determinar.
Pensam alguns que, estando-se na Terra para expiar, cumpre que as provas sigam seu curso. Outros há, mesmo, que vão até ao ponto de julgar que, não só nada devem fazer para as atenuar, mas que, ao contrário, devem contribuir para que elas sejam mais proveitosas, tornando-as mais vivas. Grande erro. É certo que as vossas provas têm de seguir o curso que lhes traçou Deus; dar-se-á, porém, conheçais esse curso? Sabeis até onde têm elas de ir e se o vosso Pai misericordioso não terá dito ao sofrimento de tal ou tal dos vossos irmãos: “Não irás mais longe?” Sabeis se a Providência não vos escolheu, não como instrumento de suplício para agravar os sofrimentos do culpado, mas como o bálsamo da consolação para fazer cicatrizar as chagas que a sua justiça abrira? Não digais, pois, quando virdes atingido um dos vossos irmãos: “É a justiça de Deus, importa que siga o seu curso.” Dizei antes: “Vejamos que meios o Pai misericordioso me pôs ao alcance para suavizar o sofrimento do meu irmão. Vejamos se as minhas consolações morais, o meu amparo material ou meus conselhos poderão ajudá-lo a vencer essa prova com mais energia, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer que cesse esse sofrimento; se não me deu a mim, também como prova, como expiação talvez, deter o mal e substituí-lo pela paz.”
Ajudai-vos, pois, sempre, mutuamente, nas vossas respectivas provações e nunca vos considereis instrumentos de tortura. Contra essa idéia deve revoltar-se todo homem de coração, principalmente todo espírita, porquanto este, melhor do que qualquer outro, deve compreender a extensão infinita da bondade de Deus. Deve o espírita estar compenetrado de que a sua vida toda tem de ser um ato de amor e de devotamento; que faça ele o que fizer para se opor às decisões do Senhor, estas se cumprirão. Pode, portanto, sem receio, empregar todos os esforços por atenuar o amargor da expiação, certo, porém, de que só a Deus cabe detê-la ou prolongá-la, conforme julgar conveniente.
Não haveria imenso orgulho, da parte do homem, em se considerar no direito de, por assim dizer, revirar a arma dentro da ferida? De aumentar a dose do veneno nas vísceras daquele que está sofrendo, sob o pretexto de que tal é a sua expiação? Oh! considerai-vos sempre como instrumento para fazê-la cessar. Resumindo: todos estais na Terra para expiar; mas, todos, sem exceção, deveis esforçar-vos por abrandar a expiação dos vossos semelhantes, de acordo com a lei de amor e caridade. — Bernardino, Espírito protetor. (Bordéus, 1863.) ²
Que façamos o melhor pelo restabelecimento da saúde do nosso próximo e, deixemos para Deus nosso pai e criador a decisão de abreviar ou não os dias de vida do nosso irmão de caminhada.
Fonte:
1) Livro dos Espíritos, FEB – 76ª edição.
2) O Evangelho Segundo o Espiritismo, FEB – 112ª edição- Cap. V, item 27.
Grifos nossos
Francisco Rebouças
Os espíritos Superiores nos ensinam que precisamos de todos as oportunidades que a Suprema Bondade nos concede na presente encarnação, para enquanto por aqui estivermos, pudéssemos aproveitar de todas as formas possíveis elaborar nossa harmonização com as Leis Divinas perfeitas e imutáveis, ressarcindo ao nosso credor, o que dele nos apropriamos.
A Doutrina espírita nos informa que “fora da caridade não há salvação”, mas, em nome de uma suposta e equivocada caridade, não nos façamos emissários Divinos, agindo em nome de Deus para abreviemos a vida de quem quer que seja, pois, esses momentos finais, da vida de cada indivíduo, podem representar a sua redenção ante os tribunais celestes.
Não temos conhecimento do que cada criatura tem de débito para com a Suprema Justiça, mas sabemos que sendo Deus, Soberanamente Bom e Justo, nada poderá ser cobrado de quem nada deve. Sendo assim, nos resta fazer em nome da caridade que devemos ao nosso próximo, o melhor para preservá-lo na empreitada que trava por seu burilamento na difícil tarefa de crescer e progredir moral e espiritualmente.
Ouçamos com atenção o que nos diz a doutrina espírita sobre o assunto:
Livro dos Espíritos
953. Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?
“É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, mau grado às aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?”
a) - Concebe-se que, nas circunstâncias ordinárias, o suicídio seja condenável; mas, estamos figurando o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada de alguns instantes.
“É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.”
b) - Quais, nesse caso, as conseqüências de tal ato?
“Uma expiação proporcionada, como sempre, à gravidade da falta, de acordo com as circunstâncias.” ¹
Evangelho Segundo o Espiritismo
Dever-se-á pôr termo às provas do próximo?
– Deve alguém pôr termo às provas do seu próximo quando o possa, ou deve, para respeitar os desígnios de Deus, deixar que sigam seu curso?
Já vos temos dito e repetido muitíssimas vezes que estais nessa Terra de expiação para concluirdes as vossas provas e que tudo que vos sucede é conseqüência das vossas existências anteriores, são os juros da dívida que tendes de pagar. Esse pensamento, porém, provoca em certas pessoas reflexões que devem ser combatidas, devido aos funestos efeitos que poderiam determinar.
Pensam alguns que, estando-se na Terra para expiar, cumpre que as provas sigam seu curso. Outros há, mesmo, que vão até ao ponto de julgar que, não só nada devem fazer para as atenuar, mas que, ao contrário, devem contribuir para que elas sejam mais proveitosas, tornando-as mais vivas. Grande erro. É certo que as vossas provas têm de seguir o curso que lhes traçou Deus; dar-se-á, porém, conheçais esse curso? Sabeis até onde têm elas de ir e se o vosso Pai misericordioso não terá dito ao sofrimento de tal ou tal dos vossos irmãos: “Não irás mais longe?” Sabeis se a Providência não vos escolheu, não como instrumento de suplício para agravar os sofrimentos do culpado, mas como o bálsamo da consolação para fazer cicatrizar as chagas que a sua justiça abrira? Não digais, pois, quando virdes atingido um dos vossos irmãos: “É a justiça de Deus, importa que siga o seu curso.” Dizei antes: “Vejamos que meios o Pai misericordioso me pôs ao alcance para suavizar o sofrimento do meu irmão. Vejamos se as minhas consolações morais, o meu amparo material ou meus conselhos poderão ajudá-lo a vencer essa prova com mais energia, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer que cesse esse sofrimento; se não me deu a mim, também como prova, como expiação talvez, deter o mal e substituí-lo pela paz.”
Ajudai-vos, pois, sempre, mutuamente, nas vossas respectivas provações e nunca vos considereis instrumentos de tortura. Contra essa idéia deve revoltar-se todo homem de coração, principalmente todo espírita, porquanto este, melhor do que qualquer outro, deve compreender a extensão infinita da bondade de Deus. Deve o espírita estar compenetrado de que a sua vida toda tem de ser um ato de amor e de devotamento; que faça ele o que fizer para se opor às decisões do Senhor, estas se cumprirão. Pode, portanto, sem receio, empregar todos os esforços por atenuar o amargor da expiação, certo, porém, de que só a Deus cabe detê-la ou prolongá-la, conforme julgar conveniente.
Não haveria imenso orgulho, da parte do homem, em se considerar no direito de, por assim dizer, revirar a arma dentro da ferida? De aumentar a dose do veneno nas vísceras daquele que está sofrendo, sob o pretexto de que tal é a sua expiação? Oh! considerai-vos sempre como instrumento para fazê-la cessar. Resumindo: todos estais na Terra para expiar; mas, todos, sem exceção, deveis esforçar-vos por abrandar a expiação dos vossos semelhantes, de acordo com a lei de amor e caridade. — Bernardino, Espírito protetor. (Bordéus, 1863.) ²
Que façamos o melhor pelo restabelecimento da saúde do nosso próximo e, deixemos para Deus nosso pai e criador a decisão de abreviar ou não os dias de vida do nosso irmão de caminhada.
Fonte:
1) Livro dos Espíritos, FEB – 76ª edição.
2) O Evangelho Segundo o Espiritismo, FEB – 112ª edição- Cap. V, item 27.
Grifos nossos
Francisco Rebouças