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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Coluna - Reflexão

LIVRE ARBÍTRIO E LEI DE CAUSA E EFEITO

Nas várias situações em que nos deparamos na vida, em número incontável de vezes, clamamos por justiça. Na quase totalidade dos conflitos que vivenciamos, comumente, consideramos que somos injustiçados e que “Deus” não nos olha como deveria, privilegiando alguns em detrimento de outros.

Há que se fazer uma reflexão profunda acerca da atuação divina em nossas vidas pois que o ângulo no qual a vemos, tem relação direta com a nossa visão da vida e de tudo que nos cerca. Pequeninos que somos, não compreendemos que a “Visão de Deus” quase sempre não se compatibiliza com a nossa, estreita e limitada diante da eternidade e do cosmos.

Por isso, todas as vezes em que somos convidados a meditar sobre nossas atitudes e escolhas diante dos vários caminhos que se nos apresentam na vida, fugimos de tal enfrentamento, por não querermos a responsabilidade pela utilização do livre arbítrio. É muito mais simples e fácil que a culpa por nossa infelicidade e desacertos esteja a cargo de terceiros e não das más escolhas que fazemos.

A Doutrina Espírita, rica de esclarecimentos que, se bem estudada, nos leva, cada vez mais, a um outro nível de consciência de tudo que nos cerca, é-nos alerta constante, mostrando-nos objetiva e claramente, as razões do sofrimento que tem como causa os atos do presente e do passado. Carregamos um mapa cármico, que podemos denominar de “desafios” que, no mundo espiritual, nos propusemos vencer, superar... Contudo, temos a grande benção do esquecimento, pouco entendido por alguns. Esquecer significa começar de novo... Com esperança em dias melhores, onde as quedas de ontem serão redimidas. Esquecer significa possibilitar o reencontro para as reconciliações difícies com quem nos prejudicou ou a quem prejudicamos. Esquecer significa muito mais mérito na luta e na vitória, pois que estaremos investindo em nosso progresso espiritual espontaneamente, por acreditar que este é o objetivo da vida, e não porque aguardamos a recompensa.

O Livro dos Espíritos, em sua parte terceira, capítulo X, questões 843 e 844, assim dispõem:

“843. Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos ?
R. Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina.

844. Do livre-arbítrio goza o homem desde o seu nascimento ?
R. Há liberdade de agir, desde que haja vontade de fazê-lo. Nas primeiras fases da vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de objeto com o desenvolvimento das faculdades. Estando seus pensamentos em concordância com o que a sua idade reclama, a criança aplica o seu livre-arbítrio àquilo que lhe é necessário. "

As tendências e inclinações que trazemos são o referencial a ser observado, no sentido de redirecionar as predisposições mórbidas que nos conduzem à queda moral. Contudo, os Espíritos nos alertam que não existe arrastamento irresistível, ou seja, todos nós, a par de todas as imperfeições que trazemos, mesmo que habitando ambientes de promiscuidade e vício, podemos vencer os maus pendores, se tivermos vontade firme e perseverança.

É o que nos ensina a questão 845, do Livro dos Espíritos, a saber:

“845. Não constituem obstáculos ao exercício do livre-arbítrio as predisposições instintivas que o homem já traz consigo ao nascer ?
R. As predisposições instintivas são as do Espírito antes de encarnar. Conforme seja ele mais ou menos adiantado, elas podem arrastá-lo à prática de atos repreensíveis, no que será secundado pelos Espíritos que simpatizam com essas disposições. Não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder.”

Tratando do mesmo assunto, o Espírito Joanna de Ângelis, no Livro Momentos de Alegria, cap. 7, diz-nos que:

“Ninguém se evade das conseqüências dos próprios atos. Estas são inevitáveis no processo evolutivo de todas as criaturas.
Conforme seja a ação, desencadeia-se a reação. Por isso mesmo, o homem vive segundo age.
Nem sempre porém os resultados se fazem imediatos.
Há tempo para semear, quanto o existe para colher.
A trilha de cada criatura é percorrida com os pés do esforço pessoal.
Indispensável, portanto, penasr antes de agir, de modo a não se arrepender, ao raciocionar depois.”

Em número incontável de vezes, argumentamos que tantas criaturas se equivocam no caminho, usurpam os bens alheios, exploram os semelhantes, e continuam impunes perante os homens... Por que, então, haveríamos de ser diferentes ? Honestos, probos, leais, sem que tais virtudes sejam valorizadas ? Como entender que critaturas desonestas vivam bem ? Sem quaisquer preocupações ?
Tal visão é extremamente materialista para quem acredita na imortalidade da alma e na justiça divina. Nada fica impune perante as Leis de Deus.

Eis o que Joanna de Ângelis continua a informar de forma cristalina, em alguns recortes da mesma página acima enfocada:

“Teimam, muitos homens, pela permanência na arbitrariedade.
Pessoas agem, equivocadamente, acreditando-se dribladoras da honestidade, da correção, do dever.
Sorriem, enganadas, supondo-se livres do escandâlo, ou, escamoteando a verdade, crêem-se indenes ao escárnio, à cobrançca pelas suas vítimas.
Quiçá, permaneçam ignoradas pelos demais, as suas ações ignóbeis; nunca, no entanto, pela própria consciência, que reflete a presença de Deus em todos os indivíduos.
É até mesmo provável que o culpado não venha a ser acusado publicamente, e passe pela vida respeitado por todos.
Isso, todavia, não é importante.
Ele jamais fugirá de si mesmo, das suas recordações.
O tempo não pára, mas, os efeitos de cada um permanecem.
Um dia ressumam dos arquivos da memória os lances dos atos perpetrados. E, se por acaso se demoram anestesiadas, as lembranças, elas prosseguem vivas, aguardando o momento próprio.”

Por isso, vislumbramos tantas desigualdades no mundo em que vivemos... Tanta dor, tanta miséria, tantos conflitos íntimos, tanto sofrimento .... A causa está em nós mesmos, na inadequada utilização de nosso livre-arbítrio. Colhemos sempre o que plantamos, tal é a lei. Eis porque somos convidados insistentemente à prática do bem, com o bem e para o bem. É o único caminho para a reabilitação.

Jesus muito sabiamente nos disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém chega ao Pai senão por mim.” Então, só nos resta acatar-lhe o conselho amoroso e sábio, seguindo-lhe as pegadas firmes, a fim de que finalmente possamos ser luz e seguirmos a destinação para a qual fomos criados.
Autora: Nadja Cruz Abreu
Francisco Rebouças