Solidarity Spiritist Societ

domingo, 5 de julho de 2009

As diversas concepções do “Céu”

O estado de sofrimento ou de felicidade desfrutado pelos espíritos no mundo espiritual, muito depende do grau evolutivo de cada um, em vista disso muito se observa nas comunicações dadas por eles aos questionamentos do codificador, onde se pode perceber que estando ambos no mesmo lugar, um está em paz enquanto outro está em aflição.

A palavra Céu, é comumente entendida como sendo o espaço indefinido que circunda a Terra, e mais particularmente a parte que está acima do nosso horizonte. Os povos da Antigüidade acreditavam na existência de muitos céus superpostos, de matéria sólida e transparente, formando esferas concêntricas e tendo a Terra por centro, e que essas outras esferas giravam em torno da Terra, e, arrastavam consigo os astros que se achavam em seu circuito.

Isso se devia, em face da deficiência dos conhecimentos astronômicos que hoje em dia se tem com o acelerado avanço da ciência nos últimos séculos. Naquela época, as opiniões mais comuns, eram de que existiam sete céus e daí a expressão - estar no sétimo céu – que definia como sendo o Céu da perfeita felicidade. Diferente um pouco dos muçulmanos que admitem nove céus, em cada um dos quais se concentra maior grau de felicidade.

O astrônomo Ptolomeu (1) contava onze e denominava ao último Empíreo (2) por causa da luz brilhante que nele reina. Permanece ainda nos dias de hoje para muitos crentes essa definição poética que representa o lugar da glória celeste, do bem eterno, para onde todos almejam ir um dia.

Nós espíritas, bem sabemos que o Céu não se refere a nenhum espaço físico localizado aqui ou ali, e sim, ao estado de paz da consciência em perfeita harmonia com as Sábias e imutáveis Leis Divinas, que é nossa destinação final, quando depurados e em estado de perfeição relativa que poderemos alcançar um dia após as lutas regenerativas acerbas, com as quais nos deparamos nos conturbados dias da atualidade.

Deus nos criou a todos, da mesma maneira, simples e ignorantes, mas nos dotou de todas as aptidões necessárias para tudo conhecer e para progredir pela utilização das nossas escolhas através da bênção do livre-arbítrio, o que nem sempre fomos capazes de praticar com proveito de forma a escolher o melhor para o nosso próprio benefício.

Deu-nos a inteligência para que a utilizássemos, em prol do progresso, desenvolvendo novos conhecimentos pelo trabalho incessante em busca do aprimoramento do SER imortal que somos.

A doutrina espírita nos ensina, que a felicidade está na razão direta do progresso realizado pelo indivíduo, que só pelo trabalho no bem através da caridade desinteressada, poderemos conquistar patamares mais elevados em termos de espiritualidade. Que os bens da matéria não são os que nos poderão proporcionar a felicidade a que tanto aspiramos, pois, quando daqui partirmos nada nos será permitido levar em valores proporcionados pelos bens matérias, pois pertencem a este mundo e aqui permanecerão.

A felicidade no mundo espiritual será diretamente proporcional às qualidades morais, desenvolvidas pelos Espíritos, pois, são as únicas que nos podem proporcionar uma situação mais confortável em matéria de paz de espírito. Podemos melhor comparar os estados dos seres no mundo dos espíritos, dessa forma: Se em um concerto se encontrarem dois homens; o primeiro, bom músico, de ouvido educado, e outro, desconhecedor da música, de sentido auditivo pouco delicado, o primeiro experimentará sensação de felicidade, enquanto o segundo permanecerá insensível, porque um compreende e percebe o que nenhuma impressão produz no outro. Isto, devido ao grau de adiantamento efetuado por um e por outro indivíduo, o que os distingue perante os gozos espirituais.

A vida do espírito quando na erraticidade, tem seus esplendores representados pelas harmonias e sensações que somente os Espíritos Superiores podem e sabem usufruir, e onde os Espíritos inferiores, encharcados ainda pela perniciosa influência da matéria, não percebem e por essa razão não sabem tirar o devido proveito.

Fonte:

1) Ptolomeu viveu em Alexandria, Egito, no segundo século da era cristã.

2) Do grego, pur ou pyr, fogo.

3) O Céu e o Inferno – Primeira parte - Capítulo III, itens 1 e 6.