Ainda há irmãos de diversas crenças religiosas, que não crêem em reencarnação e para justificarem o que defendem exigem provas de que ela exista, querem para isso provas concretas, palpáveis.
A grande maioria das filosofias religiosas, adota em seus princípios essa crença, e quase que somente as ditas religiões cristãs não aceitam esse principio, sem levarem em conta, na maioria dos casos, por desconhecimento, de que no inicio do cristianismo, ou seja, no cristianismo primitivo, a reencarnação era perfeitamente aceita sem qualquer problema, fazendo mesmo parte integrante da cultura judaica.
Muitos desses descrentes, não a aceitam em vista de só analisarem a reencarnação pelos princípios religiosos que professam, quando em verdade a reencarnação nada tem a ver com os princípios religiosos de qualquer corrente cristã ou não, por tratar-se de uma Lei natural, criada por Deus, para reger o destino de seus filhos.
No Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Interroga aos espíritos Nobres sobre a finalidade da encarnação, como se segue:
132. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?
"Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta."
A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. Deste modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza.
133. Têm necessidade de encarnação os Espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do bem?
"Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito."
a) - Mas, então, de que serve aos Espíritos terem seguido o caminho do bem, se isso não os isenta dos sofrimentos da vida corporal?
Chegam mais depressa ao fim. Demais, as aflições da vida são muitas vezes a conseqüência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos."
Inúmeras são as pesquisas que estão sendo levadas a efeito, em busca de uma resposta científica para a reencarnação, e cada vez mais o homem se aproxima das verdades consolidadas nas respostas dos espíritos superiores que a doutrina espírita expõe em seus fundamentos pela fé raciocinada, sem dogmas ou pré-conceitos, explicando a pré-existência do ser espiritual e sua conseqüente sobrevivência à morte do corpo físico.
É notório que, pelos resultados que estão sendo coletados pelos pesquisadores em várias partes do mundo, muito em breve, estaremos sendo informados que: a ciência comprovou que a reencarnação é uma Lei natural como todas as outras.
Com absoluta certeza, estaremos observando daí em diante, a completa reformulação nos conceitos e atitudes de grande maioria de criaturas que por ignorância ou por manipulação de correntes contrárias ao esclarecimento das pessoas, que ao contato com essa sublime verdade, assumirão postura diferente da que ora seguem e defendem.
Por isso, estamos certos de que cedo ou tarde as religiões tradicionais terão que se ajustarem aos novos e comprovados conceitos de vida, passando então a modificação de seus ditos, dogmáticos e pré-conceituosos; se desejarem sobreviver diante de uma sociedade informada e esclarecida a cerca da vida futura, que entendendo definitivamente os mecanismos utilizados pela Justiça Divina, certamente se insurgirão contra esses ultrapassados fundamentos ilógicos e absurdos.
Compreenderão que sendo Deus nosso Pai de infinito a mor e bondade, não enviaria uma de suas criações para o inferno, e que aceitemos ou não, ele nos aguarda com o amor incondicional que não temos compreensão por enquanto para entender, onde nos juntaremos aos que pelos seus próprios esforços já desfrutam de sua companhia vivendo em plena felicidade.
Em sua obra Os Cártaros e a Heresia Católica, Lachâtre, Niterói, RJ, 1ª edição, 2002, Hermínio Miranda nos diz que isso, ainda não foi possível a todos os cristãos, em virtude da interferência da Igreja católica ao longo dos séculos em defender que: “...o simples acolhimento da doutrina das vidas sucessivas teria precipitado a invalidação de princípios vitais à Igreja, como o da unicidade da vida, céu, inferno, juízo final, pecado original e, por via de conseqüência, sacramentos, exclusividade salvífica, mediação sacerdotal entre a criatura e Deus, divindade de Jesus e outros tantos aspectos que a Igreja considera, naturalmente, inegociáveis, porque eternos, imutáveis, irremovíveis. É preciso, ainda, lembrar que tudo isso está assentado em bases materiais e econômico-financeiras que garantem incalculável massa crítica de poder político, do qual a instituição não está disposta nem preparada para abrir mão, senão à custa de um suicídio institucional”.
Mas, como a verdade é única, a reencarnação estará em breve contra tudo e todos assumindo seu papel de ferramenta divina de que Deus se utiliza para promover a verdadeira justiça com seus filhos, e todos a aceitarão por que a compreenderão em toda sua exuberância de instrumento de progresso do ser eterno e imortal que somos, e aqueles que hoje zombam dos que a professam estarão buscando recuperar o tempo perdido com escárnios e injúrias equivocadas contra os que já se utilizam da oportunidade concedida pela reencarnação como uma bênção que o Pai amoroso e justo lhe oferta para seu crescimento moral espiritual.
Francisco Rebouças