Sabemos que todo aquele que se dispõe a trabalhar na sagrada missão da mediunidade com Jesus, está só por isso mesmo sujeito à inúmeras armadilhas providenciadas imediatamente após o médium se decidir por seguir as atividades mediúnicas, pelos adversários ferrenhos e gratuitos da Luz.
Por isso mesmo, Allan Kardec, não cansou de nos alertar sobre o assunto, e formulou questões à espiritualidade superior para esclarecimento de todos nós que nos dedicamos a este trabalho altruísta na Seara do Mestre de Nazaré.
No Livro dos Espíritos, encontramos na Parte 2ª Capítulo IX, as perguntas e respectivas respostas que muito nos esclarecem sobre o tema como segue:
Influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos
459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?
“Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”
460. De par com os pensamentos que nos são próprios, outros haverá que nos sejam sugeridos?
“Vossa alma é um Espírito que pensa. Não ignorais que, freqüentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre o mesmo assunto, não raro, contrários uns dos outros. Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que tendes em vós duas idéias a se combaterem.”
461. Como havemos de distinguir os pensamentos que nos são próprios dos que nos são sugeridos?
“Quando um pensamento vos é sugerido, tendes a impressão de que alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é de grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas vezes, é útil que não saibais fazê-la. Não a fazendo, obra o homem com mais liberdade. Se se decide pelo bem, é voluntariamente que o pratica; se toma o mau caminho, maior será a sua responsabilidade.”
De posse de tão valiosos esclarecidos trazidos até nós, pelos imortais da vida maior, sobre os cuidados a serem observados por todos nós, em relação ao nosso pensamento que será o propulsor de nossas atitudes, é bastante razoável que estejamos sempre atentos aos sinais que essas influências nos causam, procurando estar em constante estado de vigília e oração, pois não podemos sequer nos imaginar isentos, ou como exceções inatingíveis pelas artimanhas das forças inimigas da moral e da ordem.
Inúmeras são as advertências que a doutrina espírita nos apresenta, em várias de suas obras, dentre as quais selecionamos esta mensagem de André Luiz, contida no Livro Conduta Espírita, pela abençoada psicografia de Chico Xavier, no seu Capítulo 4, que transcrevemos a seguir, como verdadeiro roteiro para ser seguido por todos aqueles que buscam a segura orientação para servir a Jesus, da maneira mais adequada possível nos labores da mediunidade santificada.
DO MÉDIUM
Esquivar-se à suposição de que detém responsabilidades ou missões de avultada transcendência, reconhecendo-se humilde portador de tarefas comuns, conquanto graves e importantes como as de qualquer outra pessoa.
O seareiro do Cristo é sempre servo, e servo do amor.
No horário disponível entre as obrigações familiares e o trabalho que lhe garante a subsistência, vencer os imprevistos que lhe possam impedir o comparecimento às sessões, tais como visitas inesperadas, fenômenos climatéricos e outros motivos, sustentando lealdade ao próprio dever.
Sem euforia íntima não há exercício mediúnico produtivo.
Preparar a própria alma em prece e meditação, antes da atividade mediúnica, evitando, porém, concentrar-se mentalmente para semelhante mister durante as explanações doutrinárias, salvo quando lhe caibam tarefas especiais concomitantes, a fim de que não se prive do ensinamento.
A oração é luz na alma refletindo a Luz Divina.
Controlar as manifestações mediúnicas que veicula, reprimindo, quanto possível, respiração ofegante, gemidos, gritos e contorções, batimentos de mãos e pés ou quaisquer gestos violentos.
O medianeiro será sempre o responsável direto pela mensagem de que se faz portador.
Silenciar qualquer prurido de evidência pessoal na produção desse ou daquele fenômeno.
A espontaneidade é o selo de crédito em nossas comunicações com o Reino do Espírito.
Mesmo indiretamente, não retirar proveito material das produções que obtenha.
Não há serviço santificante na mediunidade vinculada a interesses inferiores.
Extinguir obstáculos, preocupações e impressões negativas que se relacionem com o intercâmbio mediúnico, quais sejam, a questão da consciência vigilante ou da inconsciência sonambúlica durante o transe, os temores inúteis e as suscetibilidades doentias, guiando-se pela fé raciocinada e pelo devotamento aos semelhantes.
Quem se propõe avançar no bem, deve olvidar toda causa de perturbação.
Ainda quando provenha de círculos bem-intencionados, recusar o tóxico da lisonja.
No rastro do orgulho, segue a ruína.
Fugir aos perigos que ameaçam a mediunidade, como sejam a ambição, a ausência de autocrítica, a falta de perseverança no bem e a vaidade com que se julga invulnerável.
O medianeiro carrega consigo os maiores inimigos de si próprio.
“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” — Paulo. (I CORÍNTIOS, 12:7.)
Que nos esforcemos para não cair em tentações, e perder o fruto da sementeira abençoada que a mediunidade com Jesus nos propicia amealhar, procurando nos princípios basilares da Codificação do Espiritismo encontrar as ferramentas que nos hão de sustentar a disposição de crescimento interior, através do investimento no trabalho do bem, espalhando os benefícios do amor, na absoluta certeza de que seremos os maiores beneficiados.
Francisco Rebouças