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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Aborto, Porque?

Allan Kardec, em sua incomparável obra de codificação do espiritismo, formulou uma pergunta aos imortais da vida maior, contida no Livro dos Espíritos, sobre o primeiro e principal direito do ser humano, e obteve a resposta que abaixo transcrevemos da citada obra.

880. Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem?

“O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.”

Analisando-se a resposta dada pelos espíritos superiores sobre o assunto, podemos facilmente verificar que, o direito à vida é Lei de Deus, e que por isso mesmo, não comporta qualquer tipo de contestação em sua finalidade primordial que é o respeito ao direito do semelhante, visto que o ser que está em vias de retornar ao planeta através da reencarnação, é merecedor de respeito, cuidado, carinho e amor por parte de todos nós que já tivemos nossa oportunidade de aqui estarmos reencarnados, usufruindo da benção de termos sido respeitados em nosso direito à vida presente.

Embora muitos homens e mulheres ainda não tenham esta compreensão de que o ser espiritual já se faz merecedor de respeito desde o momento da concepção, e que esta não é apenas uma teoria defendida pela doutrina espírita, visto que essas evidências, vêm sendo estudadas nos últimos anos por pesquisadores de diversos países, que em suas pesquisas chegam cada vez mais a conclusões que confirmam a posição da Doutrina Espírita.

É, ainda no Livro dos Espíritos, que encontramos outro questionamento proposto pelo codificador aos instrutores do mais alto que abaixo transcrevemos, para melhor compreensão, sobre a União da alma e do corpo:

344. Em que momento a alma se une ao corpo?

“A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.”

Desse modo, o ser que se desenvolve no ventre materno, a partir da fecundação do óvulo já é um indivíduo, com todos os direitos de qualquer outra criatura, constituída de corpo e alma, não sendo mais possível eliminá-lo sem que se cometa um ato contrário à Lei de Deus; pois só ele como criador de todas as criaturas poderá utilizar esse seu recurso quando bem o quiser.

Quando de algum modo tentamos interferir no processo reencarnatório do espírito que está recebendo a benção da oportunidade de resgatar seus débitos contraídos com a Lei, procedemos sem respeito ao semelhante e ao nosso Pai Celestial, e por isso nos candidatamos aos difíceis processos de reparação do mal praticado pela imposição da Lei de Causa e Efeito.

Em outra excelente inquirição do insigne codificador do Consolador prometido, representado pela pergunta a baixo transcrita é que podemos aquilatar melhor a atitude insensata que cometemos contra a Suprema Lei de amor que rege o universo inteiro.

694. Que se deve pensar dos usos, cujo efeito consiste em obstar à reprodução, para satisfação da sensualidade?

“Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem é material.”

De posse, de tantos ensinamentos que a doutrina espírita nos fornece, torna-se inadmissível que nós espíritas possamos fazer parte de uma pequeníssima parcela da população brasileira, constituída por alguns intelectuais, políticos e profissionais dos meios de comunicação e embebida de princípios materialistas e relativistas, que defendem a prática delituosa do aborto, sem levar em consideração o fato de que se ela mesma, tivesse sofrido esse tipo de crime não estaria aí para defender essa tese absurda e impensada.

Oremos, portanto, meus queridos irmãos, para que essa pequena parcela de insensatos corações endurecidos pelo argumento materialista, não venha a exercer tamanha influência na legislação brasileira, em oposição à vontade e às concepções da maioria do nosso povo, e contrariando a própria Carta Magna de 1988. O direito à vida não pode ser desrespeitado, sob pena de caminharmos para a barbárie e para a quebra de todos os princípios que têm orientado a nossa cultura cristã.

Apesar das artimanhas utilizadas por aqueles que querem conduzir a opinião pública de maneira a lhes dar respaldo para o ato criminoso do aborto legal, contrariando as pretensões e legitimas aspirações, da sociedade brasileira, que é a conduta cristã, independente da corrente religiosa que se tenha, seja na religião católica, protestante, espírita ou outra qualquer, empenham-se todos, na defesa do respeito à vida, como direito inalienável.

O feto que se desenvolve desde a concepção no lugar mais sagrado do ser humano, o ventre materno, não é uma máquina, ou um robô qualquer, que podem ser desligados de acordo com os interesses das pessoas envolvidas na questão, mas sim, um ser humano, com direito à proteção e ao amor de seus Pais, responsáveis, e da sociedade inteira.

Francisco Rebouças