Solidarity Spiritist Societ

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Sobre a expiação e a prova

PERGUNTAS E PROBLEMAS
Sobre a expiação e a prova.
Moulins,8 de julho de 1863.

Senhor e venerável mestre,
Venho submeter à vossa apreciação uma questão que foi discutida em nosso pequeno grupo e que não pudemos resolver por nossas próprias luzes; os próprios Espíritos, que consultamos, não responderam bastante categoricamente para nos tirar da dúvida.
Redigi uma pequena nota, que tomo a liberdade de vos endereçar, nas quais reuni os motivos de minha opinião pessoal, que difere da de vários de meus colegas. A opinião destes últimos é de que a expiação tem lugar mesmo durante a encarnação, apoiando-se sobre o fato de que esta expressão foi empregada em muitas comunicações, e notadamente em O Livro dos Espíritos.
Venho, pois, vos rogar serdes bastante bom para nos dar a vossa opinião sobre esta questão. Vossa decisão será lei para nós, e cada um de nós fará de boa vontade o sacrifício de sua maneira de ver para se alinhar sob a bandeira que plantastes e que sustentais de maneira tão firme e tão sábia.
Recebei, senhor e caro mestre, etc.

"T. T."
'Várias comunicações, emanando de Espíritos diferentes, qualificam indistintamente de expiações ou de provas, os males e as tribulações formando o destino de cada um de nós, durante nossa encarnação sobre esta Terra. Resulta dessa aplicação de duas palavras, muito diferentes em seu significado, a uma mesma ideia, a uma certa confusão, pouco importante, sem dúvida, para os Espíritos desmaterializados, mas que dá lugar, entre os encarnados, a discussões que seria bom fazer cessar por uma definição clara e precisa e explicações fornecidas pelos Espíritos superiores, as quais fixariam este ponto de doutrina, de modo irrevogável.
'Tomando primeiro essas duas palavras em seu sentido absoluto, parece que a expiação seria o castigo, a pena imposta para o resgate de uma falta, com perfeito conhecimento, da parte do culpado punido, da causa desse castigo, quer dizer, da falta a expiar.
Compreende-se que a expiação, neste sentido, é sempre imposta por Deus.
"A prova não implica nenhuma ideia de reparação, pode ser voluntária ou imposta, mas não é a consequência rigorosa e imediata das faltas cometidas.
"A prova é um meio de se constatar o estado de uma coisa para reconhecer se ela é de boa qualidade. Assim, faz-se sofrer uma prova a um cordame, a uma ponte, a uma peça de artilharia, não por causa de seu estado anterior, mas para assegurar-se de que são próprios para o serviço ao qual estão destinados.
"Do mesmo modo, por extensão, chamam-se provas da vida, o conjunto dos meio físicos e morais que revelam a existência, ou a ausência, das qualidades da alma, que estabelecem sua perfeição ou os progressos que fez para essa perfeição final.
Parece, pois, lógico admitir-se a expiação propriamente dita, e no sentido absoluto dessa palavra, ocorre na vida espiritual depois da desencarnação ou morte corpórea; que pode ser mais ou menos longa, mais ou menos penosa, segundo a gravidade das faltas; mas que ela se completa no outro mundo e termina sempre por um ardente desejo de receber uma nova encarnação, durante a qual as provas escolhidas ou impostas deverão dar à alma o progresso para a perfeição que suas faltas anteriores impediram de se cumprirem.
"Assim, pois, não conviria admitir que há expiação sobre a Terra, mesmo que ela possa existir excepcionalmente, porque seria preciso admitir também o conhecimento das faltas punidas; ora, esse conhecimento não existe senão na vida de além-túmulo. A expiação sem esse conhecimento seria uma barbárie sem utilidade e não concordaria nem com a justiça nem com a bondade de Deus.
"Pode-se conceber, durante a encarnação, quanto de provas, porque, quaisquer que sejam os males e as tribulações desta Terra, é impossível considerá-los como podendo constituir uma expiação suficiente para faltas de qualquer gravidade. Pensa-se que um culpado deferido à justiça dos homens se encontraria bem punido se fosse condenado a viver como o menos feliz de nós? Não exageremos, pois, a importância dos males desta Terra para nos fazer um mérito o tê-los suportado. A prova consiste mais na maneira pela qual os males foram suportados do que em sua intensidade que, como a felicidade terrestre, é sempre relativa para cada indivíduo.
"Os caracteres distintivos da expiação e da prova são que a primeira é sempre imposta e que sua causa deve ser conhecida daquele que a suporta, ao passo que a segunda pode ser voluntária, quer dizer, escolhida pelo Espírito, ou imposta pelo próprio Deus, na falta de escolha; além disso, concebe-se muito bem sem causa conhecida, uma vez que ela não é, necessariamente, a consequência das faltas passadas.
"Em uma palavra: A expiação cobre o passado; a prova abre o futuro.
"O número de julho da Revista Espírita contém um artigo intitulado: Expiação terrestre, que parece contrário à opinião emitida acima; no entanto, lendo atentamente, ver-se-á que a expiação verdadeira ocorreu durante a vida espírita, e que a posição que Max ocupou durante sua última encarnação não era senão o gênero de provas que escolheu ou que lhe foi imposto, e do qual saiu vitorioso; mas que, durante toda essa encarnação, ignorante de sua posição anterior, não podia aproveitar nada de uma expiação sem objeto.
"Esta questão, talvez, seja antes uma questão de palavras do que de princípio. Com efeito, foi dito frequentemente: "Não vos ligueis às palavras, vede o fundo do pensamento."
Em todos os casos, convém, para nós, que nos entendamos no meio das palavras, de estar bem fixados sobre o sentido que a elas se dá."
Resposta. - A distinção estabelecida pelo autor da notícia acima, entre o caráter da expiação e o das provas é perfeitamente justa, e, no entanto, não saberíamos partilhar sua opinião no que concerne à aplicação dessa teoria à situação do homem sobre a Terra.
A expiação implica necessariamente a ideia de um castigo mais ou menos penoso, resultado de uma falta cometida; a prova implica sempre a de uma inferioridade real ou presumida, porque aquele que chegou ao ponto culminante, ao qual aspira, não tem mais necessidade de provas. Em certos casos, a prova se confunde com a expiação, quer dizer que a expiação pode servir de prova, e reciprocamente. O candidato que se apresenta para obter um grau, sofre uma prova; se fracassa, lhe é preciso recomeçar um trabalho penoso; esse novo trabalho é a punição da negligência levada no primeiro; a segunda prova torna-se assim uma expiação. Para o condenado a quem se faz esperar um abrandamento ou uma comutação conduzindo-se bem, a pena é, ao mesmo tempo, uma expiação por sua falta, e uma prova para a sua sorte futura; se, em sua saída da prisão, não estiver melhor, a prova é nula, e um novo castigo trará uma nova prova.
Se consideramos agora o homem sobre a Terra, vemos que ele aqui sofre males de todas as espécies e frequentemente cruéis; esses males têm uma causa; ora, a menos de atribuí-las ao capricho do Criador, é-se forçado a admitir que essa causa está em nós mesmos, e que as misérias que experimentamos não podem ser o resultado de nossas virtudes; portanto, elas têm sua fonte em nossas imperfeições. Que um Espírito se encarne sobre a Terra no seio da fortuna, das honras e de todos os gozos materiais, poder-se-á dizer que sofre a prova do arrastamento; para aquele que cai na infelicidade por sua má conduta ou sua imprevidência, é a expiação de suas faltas atuais, e pode-se dizer que é punido por onde pecou. Mas que se dirá daquele que, desde seu nascimento, luta com as necessidades e as privações, que arrasta a existência miserável e sem esperança de melhoria, que sucumbe sob o peso de enfermidades congênitas, sem ter ostensivamente nada feito para merecer uma semelhante sorte? Que isso seja uma prova ou uma expiação, a sua posição não é menos penosa, e isso não seria mais equitativo do ponto de vista de nosso correspondente, uma vez que se o homem não se lembra da falta, não se lembra mais de ter escolhido a prova. É preciso, pois, procurar em outra parte a solução da questão.
Todo efeito tendo uma causa, as misérias humanas são efeitos que devem ter uma causa; se essa causa não está na vida atual, deve estar na vida anterior. Além disso, admitindo a justiça de Deus, esses efeitos devem ter uma relação mais ou menos íntima com os atos precedentes, dos quais são, ao mesmo tempo, o castigo pelo passado, e a prova para o futuro. São expiações nesse sentido de que são a consequência de uma falta, e provas em relação ao proveito que dela se retira. A razão nos diz que Deus não pode ferir um inocente; portanto, se somos feridos, é que não somos inocentes: o mal que sentimos é o castigo, a maneira pela qual o suportamos, é a prova.
Mas ocorre, frequentemente, que, a falta não se achando nesta vida, acusa-se a justiça de Deus, nega-se sua bondade, duvida-se mesmo de sua existência; aí, precisamente, está a prova mais escabrosa: a dúvida sobre a divindade. Quem admite um Deus soberanamente justo e bom deve-se dizer que ele não pode agir senão com sabedoria, mesmo nesse caso que não compreendemos, e que se sofremos uma pena, é que a merecemos; portanto, é uma expiação. O Espiritismo, pela revelação da grande lei da pluralidade das existências,- levanta completamente o véu sobre o que essa questão deixava de obscuro; nos ensina que, se a falta não foi cometida nesta vida, o foi em uma outra, e que assim a justiça de Deus segue seu curso nos punindo por onde nós pecamos.
Vem em seguida a séria questão do esquecimento que, segundo nosso correspondente, dá aos males da vida o caráter de expiação. É um erro; dai-lhe o nome que quiserdes, não fareis que não sejam a consequência de uma falta; se o ignorais, o Espiritismo vo-lo ensina. Quanto ao esquecimento das próprias faltas, não tem as consequências que lhe atribuís. Demonstramos em outra parte que a lembrança precisa dessa faltas traria inconvenientes extremamente graves, em que isso nos perturbaria, nos humilharia aos nossos próprios olhos e aos de nossos próximos; que nos traria uma perturbação nas relações sociais, e que, por isso mesmo, entravaria nosso livre arbítrio. De um outro lado, o esquecimento não é tão absoluto quanto se supõe; não ocorre senão durante a vida exterior de relação, no próprio interesse da Humanidade; mas a vida espiritual não tem solução de continuidade; o Espírito, seja na erraticidade, seja em seus momentos de emancipação, se lembra perfeitamente, e essa lembrança lhe deixa uma intuição que se traduz pela voz da consciência que o adverte do que deve fazer ou não fazer; se não a escuta, é, pois, culpado. O Espiritismo dá, além disso, ao homem um meio de remontar ao seu passado, senão nos atos precisos, pelo menos nos caracteres gerais desses atos que pesaram mais ou menos sobre a vida atual. Das tribulações que sofre, expiações ou provas, deve concluir que foi culpado; da natureza dessas tribulações, ajudado pelo estudo de suas tendências instintivas, e apoiando-se sobre o princípio de que a punição mais justa é aquela que é a consequência de sua falta, pode deduzir disso seu passado moral; suas más tendências lhe mostram o que resta de imperfeito a corrigir em si. A vida atual é para ele um novo ponto de partida; aqui chega rico ou pobre de boas qualidades; basta-lhe,
pois, estudar a si mesmo para ver o que lhe falta, e se dizer: "Se sou punido, é que pequei," e a própria punição lhe ensinará o que fez. Citemos uma comparação: Suponhamos um homem condenado aos trabalhos forçados por tantos anos e nisso sofrendo um castigo especial, mais ou menos rigoroso, segundo sua falta: suponhamos, além disso, que, entrando na prisão, perde a lembrança dos atos que ali o conduziram; não se poderá dizer: "Se estou na prisão, é que fui culpado, porque aqui não se colocam as pessoas virtuosas; portanto, tratemos de nos tornar bons para não reentrar aqui quando dela tivermos saído." Quer saber o que fez? Estudando a lei penal, saberá quais são os crimes que para lá o conduzirão, porque não se é posto a ferro por uma travessura; da duração e da severidade da pena, disso concluirá o gênero daqueles que deveu cometer; para deles ter uma ideia mais exata, não terá senão que estudar aqueles para os quais se sente instintivamente, arrastado; saberá, pois, o que deve evitar doravante para conservar sua liberdade, e nisso será mais estimulado pelas exortações dos homens de bem, encarregados de instruí-lo e de dirigi-lo no bom caminho. Se disso não se aproveita, sofre-lhe as consequências. Tal é a situação do homem sobre a Terra, onde, não mais do que o condenado à prisão não pode estar colocado por suas perfeições, uma vez que ali é infeliz e forçado ao trabalho. Deus lhe multiplica os ensinamentos proporcionais ao seu adiantamento; adverte-o, sem cessar, fere-o mesmo para despertá-lo de seu torpor, e aquele que persiste em seu endurecimento não pode se desculpar sobre sua ignorância.
Em resumo, se certas situações da vida humana têm, mais particularmente, o caráter de provas, outras têm, incontestavelmente, o do castigo, e todo castigo pode servir de prova.
É um erro crer que o caráter essencial da expiação seja o de ser imposto; vemos todos os dias na vida expiações voluntárias, sem falar dos monges que se maceram e se fustigam com a disciplina e a camisa de pele de cabra. Não há, pois, nada de irracional em admitir que um Espírito, na erraticidade, escolha ou solicite uma existência terrestre que o coloque de modo a reparar seus erros passados. Fosse essa existência mesmo imposta, por isso não seria menos justa, apesar da ausência momentânea de lembrança, pelos motivos acima desenvolvidos. As misérias deste mundo são, pois, expiações pelo seu lado efetivo e material, e provas pelas suas consequências morais. Qualquer que seja o nome que se lhes dê, o resultado deve ser o mesmo: a melhoria. Em presença de um objetivo tão importante, seria pueril fazer uma questão de princípio de uma questão de palavra; isso provaria que se liga mais importância às palavras do que à coisa.
Temos o prazer de responder às perguntas sérias e elucidá-las, quando isso é possível.
Tanto a discussão é útil com as pessoas de boa fé, que estudaram e querem aprofundar as coisas, porque é trabalhar para o progresso da ciência, tanto é ociosa com aqueles que julgam sem conhecer e querem saber sem se darem ao trabalho de aprender.

Revista Espírita – Setembro 1863.

Francisco Rebouças

REVELE-SE


Nas lutas habituais, não exija a educação do companheiro. Demonstre a sua.

Nas tarefas do bem, não aguarde colaboração. Colabore, por sua vez, antes de tudo.

Nos trabalhos comuns, não clame pelo esforço alheio. Mostre sua boa vontade.

Nos serviços de compreensão, não peça para que seu vizinho suba até você.

Aprenda a descer até ele e ajude-o.

No desempenho dos deveres cristãos, não aguarde recursos externos para cumpri-los. O melhor patrimônio que você pode dar às boas obras é o seu próprio coração.

No trato vulgar da vida, não espere que seu irmão revele qualidades excelentes. Expresse os dons elevados que você já possui.

Em toda criatura terrestre, há luz e sombra. Destaque sua nobreza para que a nobreza do próximo venha ao seu encontro.

Livro: Agenda Cristã
Chico Xavier/André Luiz

Francisco Rebouças

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Ultrapassamos a marca das 161.000 visitas!

Queridos amigos, é com grande alegria que acabamos de registrar a marca de 161.000 visitas ao nosso Blog Espírita.


É realmente gratificante para nós a honra de desfrutar da confiança e da amizade, de vocês, que garantem com sua visita o sucesso deste modesto trabalho de difusão da doutrina espírita, que é incontestavelmente o maior estímulo, e incentivo para que continuemos empenhados em fazer sempre o melhor.

Agradecemos e parabenizamos a todos, porque também fazem parte do sucesso dessa empreitada de divulgar o Consolador prometido por Jesus a toda a humanidade.

Rogamos a Jesus nos guie, inspire e guarde em sua paz, hoje e sempre!

Francisco Rebouças

SINAIS

Na reunião íntima, o benfeitor espiritual Bittencourt Sampaio falava pelo médium, com propriedade e beleza.
Em certo ponto da preleção, dizia, veementemente:
- Revelamos os nossos sinais dominantes, nas manifestações pequeninas. Cada um tem reflexos diferentes. O heroísmo na praça pública pode ser mero fruto de circunstâncias especiais. É o cotidiano que nos revela o íntimo, nos gestos mais apagados, nas mínimas ações. A maldade aparece num ato de cólera. A calúnia por vezes se entremostra numa simples palavra. A leviandade vem à baila num vago sorriso. A avareza, em muitas ocasiões, surge num vintém...
Nisso, alguém bate á porta cerrada. E o silêncio cai, pesado, no ânimo dos ouvintes...
O visitante, não se vendo logo atendido, insiste com mais força. Pancadas violentas: duas, três, cinco vezes...
O instrutor desencarnado retoma a palavra e explica:
- Estudemos. A pessoa que nos procura talvez seja um modelo de cortesia na vida social;
entretanto, pelo seu comportamento atrás da porta, anuncia claramente que um dos seus reflexos mais altos é a impaciência.

Livro: A Vida Escreve
Chico Xavier e Waldo Vieira

Francisco Rebouças

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

DESCULPAR

"Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete" - (Mateus, 18:22.)

Atende ao dever da desculpa infatigável diante de todas as vitimas do mal para que a vitória do bem não se faça tardia.
Decerto que o mal contará com os empreiteiros que a Lei do Senhor julgará no momento oportuno, entretanto, em nossa feição de criaturas igualmente imperfeitas, suscetíveis de acolher-lhe a influência, vale perdoar sem condição e sem preço, para que o poder de semelhantes intérpretes da sombra se reduza até a integral extinção.
Recorda que acima da crueldade encontramos, junto de nós a ignorância e o infortúnio que nos cabe socorrer cada dia.
Quem poderá, com os olhos do corpo físico, medir a extensão da treva sobre as mãos que se envolvem no espinheiral do crime? Quem, na sombra terrestre, distinguirá toda a percentagem de dor e necessidade que produz o desespero e a revolta.
Dispõe-te a desculpar hoje, infinitamente, para que amanhã sejas também desculpado.
Observa o quadro em que respiras e reconhecerás que a natureza é pródiga de lições no capítulo da bondade.
O sol releva, generoso, o monturo que o injuria, convertendo-o sem alarde em recurso fertilizante.
O odor miasmático do pântano, para aquele que entende as angústias da gleba, não será mensagem de podridão, mas sim rogativa comovente, para que se lhe dê a benção do reajuste, de modo a transformar-se em terra produtiva.
Tudo na vida roga entendimento e caridade para que a caridade e o entendimento nos orientem as horas.
Não olvides que a própria noite na terra uma pausa de esquecimento para que aprendemos a ciência do recomeço, em cada alvorada nova.
"Faze a outrem aquilo que desejas te seja feito" - advertiu-nos o Amigo Excelso.
E somente na desculpa incessante de nossas faltas recíprocas, com o amparo do silêncio e com a força de humildade, é que atingiremos, em passo definitivo, o reino do eterno bem com a ausência de todo mal.

Livro: Ceifa de Luz
Chico Xavier/Emmanuel

Francisco Rebouças

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

PRECE POR AUXÍLIO

...Se o pessimismo aparece,
mostrando trevas e males
nada comentes, nem fales fora
da crença no Bem...
Compadece-te, meu Deus,
Dos companheiros em prova,
Cuja vida se renova
Somente a preço de dor...
Não deixes errante em trevas                                
Aquele que se perdeu
Nas tramas do próprio “eu”,
Sem ver-te a bênção de amor.

Meu Deus, ajuda a quem vai
Sem apoio a que se arrime,
Na rude estrada do crime,
Vivendo a revolta e o mal;
Inspira, ampara e esclarece
A pessoa envilecida,
Mostra-lhe a força da vida,
Na vida bela e imortal.

Auxilia-nos a todos
Entre pedras e entre espinhos
Dos nossos próprios caminhos,
Que fizemos tais quais são...
Senhor da Misericórdia,
Em tua bênção de luz,
Queremos seguir Jesus
Nas trilhas da redenção.

Livro: Coração e Vida – Cap. 35
Chico Xavier/Maria Dolores


Francisco Rebouças

Estudando a doutrina espírita



“Todas as religiões admitiram igualmente o princípio da felicidade ou infelicidade da alma após a morte, ou, por outra, as penas e gozos futuros, que se resumem na doutrina do céu e do inferno encontrada em toda parte.
No que elas diferem essencialmente, é quanto à natureza dessas penas e gozos, principalmente sobre as condições determinantes de umas e de outras.
Daí os pontos de fé contraditórios dando origem a cultos diferentes, e os deveres impostos por estes, consecutivamente, para honrar a Deus e alcançar por esse meio o céu, evitando o inferno.”

Fonte: O Céu e o Inferno – O Porvir e o Nada, item 11.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Seguir Jesus em tudo!

Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal.
Paulo: (II Carta aos Coríntios, 5:10)
Grande parte dos aprendizes da mensagem cristã não encara com seriedade o sentido religioso que o Evangelho de Jesus propõe, senão pelo aspecto das atividades de cunho meramente exterior, entendendo equivocadamente que bastará ao cristão comparecer assiduamente as assembleias do segmento religioso que frequenta, e todas as necessidades da Alma estarão atendidas nas relações com o Criador.
Não levam em conta que os ensinamentos do Cristo trazem ínsitos o apelo para a transformação e aprimoramento moral da criatura solicitando dela a realização da parte que lhe compete na implantação e edificação do Reino de Deus no seu e no coração do seu semelhante, em todos os desafios e circunstâncias que a vida lhe proporcionar.
Que adiantará ao homem, zeloso e dedicado aos atos exteriores de sua convicção religiosa, que em seus relacionamentos na família ou na sociedade não se importa em proferir palavrões, em ser descortês, maldoso, maledicente, etc., não basta se declarar seguidor do cristianismo em seu meio religioso, se continua sendo indolente com o sofrimento do próximo, desesperado na dificuldade, imoderado na alegria, blasfemo, inconformado, queixoso nos contatos pessoais revoltado com a vida.
Como entender que seguir o Modelo e Guia da humanidade, significa adular, ou enganar com atos exteriores durante algumas horas semanais, e seguir com todos os arraigados vícios físicos e morais sem o menor esforço de melhoria achar que está apto a se autodenominar Cristão? Não é antes um contrassenso diante daquele que nos esclareceu que o Reino dos Céus não se conquista com aparências?
As lições contidas no seu Evangelho nos mostram ser indispensável aos aprendizes e seguidores que se tornem cartas vivas a serviço do bem e da paz nos diversos caminhos e nas variadas situações que se apresentem no processo evolutivo que estamos inseridos a caminho da felicidade e da pureza para as quais estamos destinados, e que sem o verdadeiro entendimento e vivencia de suas lições não nos será possível alcançar.
E os Imortais nos afirmam que as lições do evangelho são simples e de fácil entendimento conforme segue.
“A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da Doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza e da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo.
Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encamado”.
Claro está que conhecedor de cada um de seus irmãos em humanidade e sabedor das dificuldades e desafios que ainda teremos que enfrentar com coragem e disciplina, Jesus não nos pede para viver uma vida de santo, porque isso não nos será possível, solicita de cada um apenas o que já estamos suficientemente capacitados a realizar.
Assim sendo, solicita-nos simplesmente cultivar a gentileza, o respeito, a dignidade, a boa vontade, a caridade a compreensão, a vigilância dos nossos pensamentos palavras e atos no trato com o próximo, porque agindo dessa forma estaremos em constante estado de oração sem ser preciso pronunciar qualquer palavra.
Urge dedicar toda atenção quando interpretarmos as lições sublimes ensinadas e vivenciadas por Jesus. Não tem valor algum para nossa vida espiritual as atitudes falseadas para impressionar os outros porque o nosso Mestre e Guia nos asseverou que, nossas atitudes aparentes faz lembrar os sepulcros caiados por fora, mas cheio de podridão por dentro.
Referência:Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, FEB, 112ª edição, cap. XVII, item 4.
Francisco Rebouças

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Estudando a Doutrina Espírita


Caráter e consequências religiosas das manifestações espíritas.
7. Os fatos constatados pela ciência, de maneira peremptória, não podem ser negados por nenhuma crença religiosa contrária. A religião não pode senão ganhar em autoridade, seguindo o progresso dos conhecimentos científicos, e perder em permanecer atrasada ou em protestar contra esses mesmos conhecimentos em nome dos dogmas, porque nenhum dogma poderia prevalecer contra as leis da Natureza, nem anulá-las; um dogma fundado sobre a negação de uma lei da Natureza não pode ser a expressão da verdade.
O Espiritismo, fundado sobre o conhecimento de leis incompreendidas até este dia, não vem destruir os fatos religiosos, mas sancioná-los, dando-lhes uma explicação racional; ele não vem destruir senão as falsas consequências que deles foram deduzidas, em consequência da ignorância dessas leis, ou de sua interpretação errônea.

Fonte: - Livro Obras Póstumas.

O PÁSSARO DOURADO

Conta-se que Ransés II possuía enorme coleção de pássaros treinados para comunicação, aves semelhantes aos pombos-correio da atualidade.
Depois de algum tempo em que os mensageiros alados desempenhavam serviços de intercâmbio, com segurança e eficiência, a magnanimidade real deliberou honorificar seis deles, que se revelavam mais corajosos e fiéis.
Atendendo a isso, o grande Sesostris colocou a homenagem, entre os diversos números de festa popular.
A condecoração constaria de um leve revestimento de ouro para cada um.
No dia marcado, conquanto sob severa contenção, cinco dos pássaros em destaque escaparam céus afora.
Apenas um deles ficou retido nas mãos de alto funcionário, ante a real presença.
O faraó aproximou-se com carinho e borrifou-lhe o corpo, especialmente as asas, com finíssima poeira de ouro puro, sob os aplausos da multidão.
O pássaro condecorado, entretanto, embora liberto, permaneceu em vasta mesa do palácio, a contorcer-se, qual se quisesse desfazer-se do precioso brinde, sempre reverenciado por todos no entanto, nunca mais conseguiu voar.

Livro: Agora é o Tempo.
Chico/Emmanuel

Francisco Rebouças

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Estudando a doutrina espírita

“Os problemas materiais, os instintos ainda falando, bem alto, na intimidade do próprio coração, a inclinação ao personalismo e à vaidade, à prepotência e ao amor próprio, enfim, a condição ainda deficitária de sua individualidade espiritual, concorrem para que o Mais Alto encontre, nesta altura dos tempos, forte obstáculo à livre, plena e espontânea manifestação.
Justo e mesmo necessário será, portanto, que o médium guarde, igualmente, no coração, o desejo de, pelo estudo e pelo trabalho, pelo amor e pela meditação, sobrepor-se ao meio ambiente e escalar, com firmeza e decisão, os degraus da evolução consciente e definitiva, convertendo-se, assim, com redução do tempo, em espiritualizado instrumento das vozes do Senhor.”
Livro: Estudando a Mediunidade.
Martins Peralva.

Francisco Rebouças.

domingo, 13 de janeiro de 2019

O Universo segue em harmonia com as Leis Divinas!

Constatamos, diariamente, observando a natureza, que a Sabedoria Divina a tudo coordena de forma equilibrada e harmônica, enriquecendo e vitalizando todos os organismos que o recebem, renovando as energias desequilibradas, para uma vida saudável, em busca da felicidade e da pureza à qual estamos destinados.
“Ora, assim como só há uma substância simples, primitiva, geradora de todos os corpos, mas diversificada em suas combinações, também todas essas forças dependem de uma lei universal diversificada em seus efeitos e que, pelos desígnios eternos, foi soberanamente imposta à criação, para lhe imprimir harmonia e estabilidade.” (1)
Em relação ao ser humano quando alguém se afasta dessa harmonia universal, rumo às perniciosas áreas da perturbação, das discussões inúteis, das competições do ego, do aviltamento da vaidade, é sinal que o indivíduo deixou de receber seu tônus, passando assim a produzir toxinas venenosas que desarmonizam os delicados equipamentos da extraordinária máquina orgânica com que Deus o equipou para seu aprimoramento e crescimento intelecto moral, por ser uma criação da Inteligência Suprema.
Jamais nos faltarão motivos para disputas acirradas, discussões homéricas, discordâncias estéreis, de consequências funestas, caso não soubermos nos esquivar com humildade e sabedoria, para não nos deixar envolver nos tumultos das gritarias e na confusão dos ânimos exaltados.
A calma, a prudência e a reflexão a serviço das boas resoluções nos ajudam a usar os recursos da inteligência com a sabedoria dos que conseguem se elevar acima das mesquinharias e da presunção, evitando que nos contaminemos pelas puerilidades que intoxicam e matam.
Envolver-se em querelas de baixo nível, para justificar-se, explicar-se, impor-se, ou responder críticas negativas, constitui perda de tempo, que logo se constituirá em desconcerto interior, levando o indivíduo ao desenvolvimento de patologias diversas.
A paz da consciência tranquila é produto da ação correta do indivíduo em relação às Leis Divinas, perfeitas e imutáveis que ninguém ousa infringir sem o ônus dos dissabores que daí se originarem, porque todos estamos submetidos aos seus justos mecanismos, e Deus nos provê e capacita-nos do que precisamos para crescer e evoluir conforme segue na mensagem abaixo:
Perante Deus
“Deus nos assegura a compreensão para que compreendamos os outros, amparando, tanto quanto possível, aos irmãos incompreendidos. 
Deus nos concede possibilidades, um tanto maiores do que aquelas de que tenhamos necessidade, a fim de que possamos socorrer aos companheiros sem recursos. 
Deus nos concede o privilégio de trabalhar, a fim de agir por nós mesmos e para que tenhamos a bênção de substituir aqueles que ainda não entendem a felicidade de trabalhar. 
Deus nos sustenta de pé, aguardando a nossa cooperação destinada a reerguer os irmãos caídos. 
Deus nos releva as faltas, na certeza de que aprenderemos igualmente a perdoar as ofensas e os erros alheios. 
E Deus não sai do silêncio para se promover, esperando que cada um de nós, frente uns aos outros, possa também fazer isso. 
Confia em Deus e segue para diante.” (2)
Paulo de Tarso em sua sabedoria esclarece-nos: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar…” (3), mostrando a cada irmão do caminho a necessidade de buscar todas as possibilidades possíveis para evitar as contendas injustificáveis, visando sempre agir com serenidade, para poder pacificar os oponentes com a bênção da compreensão, da ternura, e da mansuetude, respondendo as agressividades descabidas e desproporcional com a calma haurida na sublime sintonia com as forças renovadoras e vitalizadoras do Bem, únicas capazes de proporcionar equilíbrio, saúde e paz.
Jesus nos guie no caminho reto e largo que nos conduz ao Reino de Deus.
Referências Bibliográficas:
(1) KARDEC, ALLAN. A Gênese. F.E.B. 20ª edição. Cap. VI, item 10;
(2) XAVIER, FRANCISCO CÂNDIDO, pelo Espírito Emmanuel. Livro: Paciência, cap. 19;
(3) Paulo de Tarso – Timóteo, 2:24.
Francisco Rebouças

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

QUANDO O TÉDIO APAREÇA

Quando o desalento te ameace o caminho, pensa nos outros, naqueles que não dispõem de tempo para qualquer entrevista com o tédio.
Se te acreditar amargurando lições demasiado severas no educandário da vida, frequenta, de quando em quando, a escola das grandes provações, onde os aprendizes se acomodam na carteira das lágrimas. Muitos jazem na rua, estendendo mãos fatigadas aos que passam com pressa... Em maioria, são doentes que a onda renovadora do grupo social atirou à praia da assistência pública ou mães aflitas a quem as exigências de filhos pequeninos ainda não permitem a liberalidade de uma profissão...
Provavelmente, alguém dirá que entre eles se encontram oportunistas e malfeitores que se fantasiam de enfermos para te assaltarem a bolsa em nome da piedade. Compreendemos semelhante alegação e justificamo-la, porque o mal existe sempre onde lhe queiramos destacar a presença e, conquanto te roguemos o benefício da prece, em favor dos que agem assim, mais por ignorância que por maldade, apelamos para que consultes ainda aquelas outras salas de aula que se enfileiram no recinto dos hospitais e nos albergues esquecidos. Acompanha os estudos daqueles cujo corpo se carrega de feridas dolorosas para agradeceres a pele sadia que te veste a figura ou segue a cartilha de agoniadas emoções dos que se recolhem nos manicômios, sorvendo angústia e desespero nos resvaladouros da loucura ou da obsessão, a fim de valorizares o cérebro tranquilo que te coroa a existência... Visita os asilos que resguardam a sucata do sofrimento humano e observa as disciplinas dos que foram entregues às meditações da penúria, para quem um simples sanduíche é um brinde raro e partilha os exercícios de saudade e de dor dos que foram abandonados pelos entes que mais amam, a fim de abençoares o pão de tua casa e os afetos que te enriquecem os dias.
Quando o tédio te procure, vai à escola da caridade... Ela te acordará para as alegrias puras do bem e te fará luz no coração, livrando-te das trevas que costumam descer sobre as horas vazias.

Emmanuel
Livro: Coragem
Psicografia de Chico Xavier.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Estudando o Espiritismo - R.E.


Testamento em favor do Espiritismo

Ao Senhor Allan Kardec, presidente da Sociedade Espírita de Paris.

Meu caro senhor e muito honrado chefe espírita.
Eu vos envio, aqui incluso, meu testamento manuscrito, em envelope lacrado com lacre verde, com menção, sobre esse envelope lacrado, do que deverá ser feito depois de minha morte. Desde o momento em que conheci e compreendi o Espiritismo, seu objeto, seu objetivo final, tive o pensamento e tomei a resolução de fazer o meu testamento. Tinha adiado, em meu retorno ao campo, neste inverno, esta obra de minhas últimas vontades.
No lazer e na solidão dos campos, pude me recolher, e à luz desse divino brilho do Espiritismo, coloquei em proveito todos os ensinamentos que recebi, em todos os pontos de vista dos Espíritos do Senhor, para me guiar no cumprimento desta obra da maneira mais útil aos meus irmãos da Terra, seja sentado em minha lareira doméstica, seja ao redor de mim e longe de mim, conhecidos e desconhecidos, amigos ou inimigos, e da maneira mais agradável a Deus. Lembrei-me do que o respeitável Sr. Jobard, de Bruxelas, de quem anunciastes a morte súbita, vos escrevia em sua linguagem ao mesmo tempo profunda, engraçada e espirituosa, relativamente a uma sucessão de vinte milhões, da qual dizia ter o espólio: que essa soma colossal teria sido uma alavanca poderosa para ativar de um século a era nova que começa. O dinheiro, como se disse frequentemente, do ponto de vista terrestre, ser o nervo das batalhas, com efeito, é um instrumento mais temível, poderoso para o bem e para o mal neste mundo, e me disse: "Eu posso e devo consagrar para a ajuda dessa nova era uma porção importante do modesto patrimônio que adquiri, para o cumprimento das minhas provas, com o suor de minha fronte, às expensas de minha saúde, através da pobreza, da fadiga, do estudo e do trabalho, e por trinta anos de vida militante na advocacia, um dos mais ocupados na audiência e no escritório.
Reli a carta que escreveu, em 1º de novembro de 1832, depois de sua viagem a Roma, Lamennais, à condessa de Senfft, e na qual, com a expressão de suas decepções depois de tantos esforços e lutas consagradas à procura da verdade, se encontravam essas palavras,
senão proféticas pelos menos inspiradas, anunciando essa nova era.
(Seguem-se diversas citações que a falta de espaço não nos permite reproduzir.) O envelope contém a subscrição seguinte:
"Neste envelope, lacrado com lacre verde, está meu testamento manuscrito. Este envelope será aberto, e o lacre quebrado, somente depois de minha morte, em sessão geral da Sociedade Espírita de Paris, e nessa sessão, será, pelo presidente dessa Sociedade que estiver em exercício à época de minha morte, dada a leitura inteira de meu testamento; o dito envelope será aberto e o dito lacre quebrado por esse presidente. O presente envelope lacrado, contendo meu testamento e que vai ser enviado e entregue ao Sr. Allan Kardec, presidente atual de dita Sociedade, será depositado por ele nos arquivos dessa Sociedade.
Um original desse mesmo testamento será achado, na época de minha morte, depositado no escritório de Me***; um outro original, será, na mesma época, achado em minha casa.
O depósito ao Sr. Allan Kardec está mencionado sobre os outros originais." Tendo esta carta sido comunicada à Sociedade Espírita de Paris na sessão de 20 de dezembro de 1861, aquela encarregou seu presidente, Sr. Allan Kardec, de agradecer em seu nome ao testador
por suas generosas intenções em favor do Espiritismo, e felicitá-lo da maneira pela qual ele lhe compreende o objetivo e a importância.
Embora o autor da carta não haja recomendado calar seu nome no caso em que fosse julgado o propósito publicá-la, concebe-se que, em semelhante circunstância, e por um ato dessa natureza, a reserva mais absoluta é uma obrigação rigorosa.

Fonte: Revista Espírita, janeiro de 1862

Francisco Rebouças.